A Ypê, conhecida por produzir itens de limpeza e cuidados pessoais, teve seu passado analisado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que determinou ontem a paralisação da produção, venda e uso de 24 de seus produtos. Essa não é a primeira vez que a empresa enfrenta restrições, pois já havia sido notificada sobre questões semelhantes cinco meses atrás.
A Ypê enfrenta a Anvisa pela segunda vez em menos de meio ano. Na data de ontem, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ordenou a retirada do mercado de 24 itens, que incluem detergentes para louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca Ypê, fabricados na planta de Amparo (SP), além de suspender imediatamente a produção, venda, distribuição e utilização desses produtos.
No mês de novembro do ano anterior, a empresa Ypê detectou a presença de bactérias em sua produção. Em 27 de novembro, a Anvisa ordenou a retirada de produtos das marcas Ypê e Tixan Ypê, voltados para a lavagem de roupas, fabricados na mesma instalação. Em ambas as situações, a Anvisa alertou sobre o potencial risco de contaminação biológica devido à presença de bactérias.
Em novembro, a Anvisa adotou sua decisão fundamentando-se nas avaliações feitas pela própria Ypê, que foram enviadas à Agência. A empresa detectou a existência da bactéria Pseudomonas aeruginosa em vários lotes, todos provenientes da unidade localizada em Amparo (SP).
Recentemente, a Anvisa identificou problemas adicionais nas fábricas. Na inspeção realizada pela agência, “foram detectadas violações significativas em fases cruciais do processo de fabricação“. Dentre as irregularidades, foram observadas deficiências nos sistemas de manutenção da qualidade, na produção e no controle de qualidade.
De acordo com a Anvisa, essas deficiências apresentam um risco à segurança sanitária dos produtos. Dessa forma, pode haver a chance de contaminação microbiológica, ou seja, a presença indesejada de microrganismos nocivos.
A restrição anunciada em maio está vinculada apenas aos resultados da avaliação realizada em abril, conforme enfatiza a Anvisa. Essa avaliação foi realizada entre 27 e 30 de abril recente.
No entanto, a Agência indica que os dados de novembro de 2025 fazem parte de um histórico de contaminação por microrganismos. Esse aspecto é relevante, pois é levado em conta em cada nova análise de risco.
“Apesar de serem situações distintas, cada uma com seus produtos e lotes específicos, além de diferentes descobertas, não se pode ignorar o passado de contaminação“, afirma a Anvisa em um comunicado.
A Anvisa constatou a violação das chamadas Boas Práticas de Fabricação. Esse conjunto de regras, princípios e procedimentos técnicos obrigatórios foi estabelecido para assegurar a segurança, qualidade e eficiência de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e produtos de limpeza. (Foto: Ypê / Divulgação)
Por Opinião em Pauta com informações do UOL



