Henrique Acker – Neste domingo, 12 de abril, ocorre uma das mais importantes eleições europeias de 2026. Será renovado o parlamento da Hungria, país com população de 9,5 milhões de habitantes, que pertence à União Europeia (UE), mas que ainda não faz parte da zona do euro.
O pleito assume importância por conta do posicionamento do atual governo húngaro, comandado há 16 anos por Viktor Orbán e seu partido de extrema-direita (Fidesh). Acusado de adotar medidas que limitaram as liberdades e de fortalecer uma oligarquia de poucos milionários próximos do governo, o atual primeiro-ministro tem excelentes relações políticas com Donald Trump e Vladimir Putin.
O governo Orbán procura obstruir dentro da UE as políticas restritivas em relação à Rússia de Vladimir Putin. Desde o início da guerra com a Ucrânia, o governo húngaro não escondeu sua posição pró-Moscou e dificulta o quanto pode as iniciativas da União Europeia em impor sanções à Rússia e de ajuda a Kiev.
Ao mesmo tempo, Orbán é visto como um dos aliados mais fiéis a Donald Trump na Europa. Recentemente, Trump deu declarações públicas de apoio à reeleição de Orbán, que recebeu recentemente o vice-presidente dos EUA J.D. Vance, em Budapest.
O adversário mais forte de Orbán é um ex-correligionário, Péter Magyar. No entanto, as votações do seu partido – o Tisza – no Parlamento Europeu, muitas vezes coincidiram com as do Fidesz de Orbán em questões como reformas institucionais, migração e Ucrânia.
De acordo com o Centro de Pesquisa 21, em enquete realizada no final de março com 1.500 entrevistados, o Tisza teria 54% da preferência dos eleitores, contra 38% para o Fidesh e 6% para o Mi Hazánk (também de direita), partidos com votos suficientes para fazer bancada no parlamento.
O partido Fidesh apresenta pesquisas com números bem diferentes, que lhe asseguram a vitória. Teme-se que possa haver manipulação do resultado eleitoral, já que Viktor Orbán conta com a estrutura do Estado e amplo apoio da mídia empresarial.
Outra hipótese seria o Fidesh não aceitar o resultado, caso perca a eleição, criando uma crise política de consequências imprevisíveis. Péter Magyar vem sendo acusado por Orbán de ser agente do governo da Ucrânia e da cúpula da União Europeia.
A estimativa de mandatos com base nos dados do Centro de Pesquisa 21 é de 129 representantes para o Tisza, 64 para o Fidesz e 6 representantes para o Mi Hazánk. No entanto, para implementar reformas significativas no país, qualquer partido precisa de uma maioria de dois terços no parlamento, conquistando pelo menos 133 deputados. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do G1, BBC e portal 44hu.



