Nesta quarta-feira (22), o Ministério das Relações Exteriores emitiu uma declaração informando que a administração de Donald Trump não respeitou a “boa prática diplomática” ao expulsar do território americano um representante da Polícia Federal que trabalhava na Flórida e que esteve relacionado à detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Em resposta a isso, o Itamaraty afirmou ter comunicado à embaixada dos Estados Unidos que adotará o princípio da reciprocidade em relação a um funcionário americano.
Segundo a nota divulgada, a administração Trump violou uma parte do pacto de colaboração entre as duas nações. Isso ocorreu porque tomou a decisão contra o delegado brasileiro sem solicitar esclarecimentos sobre suas ações ou tentar estabelecer um diálogo com o governo do Brasil.
“A representante da embaixada dos Estados Unidos recebeu informações, também de forma oral, de que o governo do Brasil irá adotar o princípio da reciprocidade em relação à decisão imediata tomada contra o agente da Polícia Federal, a qual não contou com nenhuma solicitação de esclarecimento ou tentativa de conversa sobre a situação“, afirma o comunicado.
A declaração do Brasil menciona um acordo de entendimento entre as duas nações. A parte mencionada indica que “se qualquer parte desejar, de boa-fé, interromper a designação de um Oficial de Ligação específico conforme este Acordo, é esperado que os envolvidos se consultem entre si e, se necessário, providenciem a nomeação de um outro oficial em substituição“.
No mesmo comunicado, o Ministério das Relações Exteriores enfatiza que toda a troca de informações relacionada ao incidente — tanto a notificação ao delegado do Brasil quanto a conversa com a embaixada dos Estados Unidos — ocorreu de forma oral.
Nos bastidores, membros da administração brasileira tinham demonstrado descontentamento desde segunda-feira, relatando que não receberam nenhum aviso oficial do governo dos Estados Unidos sobre a solicitação para que o delegado Marcelo Ivo (foto) se retirasse do país.
Conforme informações do Itamaraty, a reciprocidade nesta situação implica na “cessação imediata” das atividades do diplomata dos Estados Unidos no Brasil.
Na terça-feira (21), Kimberly Kelly, que exerce a função de encarregada de Negócios interina na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, foi chamada pelo Ministério das Relações Exteriores para esclarecer o pedido do governo de Donald Trump, que solicita a saída do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho do Brasil.
Com tristeza
De acordo com a nota divulgada nesta quarta-feira, a resolução de revogar as credenciais de um agente dos Estados Unidos que atua no Brasil foi informada durante essa reunião.
Nesta quarta-feira, o chefe da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou em uma entrevista à GloboNews que revogou as credenciais de um funcionário dos Estados Unidos, um agente de imigração norte-americano, que trabalha na sede da PF em Brasília.
“Com tristeza, decidi revogar as credenciais de um funcionário americano com base na regra da reciprocidade”, afirmou Andrei em uma entrevista ao Estúdio i, da GloboNews.
É um agente da polícia dos Estados Unidos que, até a suspensão de suas credenciais, atuava em uma divisão da Polícia Federal na cidade-sede do governo.
O chefe da PF esclareceu que, na ausência das permissões necessárias, o agente perde o acesso ao local onde exercia suas funções em Brasília, bem como às informações utilizadas nas colaborações entre as forças policiais dos Estados Unidos e do Brasil.
De acordo com Andrei, ocorreu uma situação similar com o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, que trabalhava em Miami e, na segunda-feira (20), recebeu a determinação de deixar os Estados Unidos, conforme comunicado pelo governo local. O chefe da Polícia Federal desmentiu a afirmação de que o brasileiro teria sido expulso do território americano.
Andrei explicou que o agente norte-americano não será solicitado a deixar o Brasil nem será expulso. “Assim como o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, nós, da Polícia Federal, não temos a função de expulsar ninguém do Brasil”. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações do G1



