Henrique Acker – Quem quiser assistir a uma partida da Copa do Mundo de 2026 terá que desembolsar, em média, 22 vezes mais do que os torcedores que pagaram para entrar nos estádios nos jogos durante a primeira fase da Copa do Catar, em 2022.
Com a venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2026, a FIFA projeta arrecadar US$ 3,017 bilhões (cerca de R$ 15,7 bilhões) com bilheteria e pacotes de hospedagem. O valor previsto representa seis vezes mais do que o registrado na Copa passada.
Essa é só uma parte da movimentação financeira com a Copa do Mundo de 2026, disputada nos EUA, México e Canadá. No total, a previsão da FIFA é de uma arrecadação de cerca de 11 bilhões de dólares, em torno de R$ 57 bilhões. Embora, em tese, a FIFA seja uma organização sem fins lucrativos.
Muita grana
São três as principais fontes de arrecadação: 1) Direitos de transmissão dos jogos (4,3 bilhões de dólares); 2) Patrocínios de empresas como Coca-Cola, Adidas, McDonald’s, Bank of America, Hyundai, Visa, que pagam entre 150 e 200 milhões de dólares a cada quatro anos e um extra no mundial de seleções (2,8 bilhões de dólares); 3) Ingressos e hospedagem, em parceria com hotéis e a plataforma digital Airbnb (3 bilhões de dólares).
Os preços iniciais para ingressos das partidas do Brasil nos Estados Unidos variavam entre US$ 155 e US$ 215, dependendo do estádio. No entanto, com a proximidade da competição, o bilhete mais barato para assistir a Brasil x Marrocos já alcançou US$ 1.740, cerca de 22 vezes superior ao cobrado num jogo da primeira fase na última Copa.
Promotores de Justiça dos estados de Nova York e Nova Jersey, nos EUA, abriram investigações para apurar a razão dos altos preços praticados na venda de ingressos dos jogos. Ao todo, serão 104 jogos, envolvendo 48 seleções participantes.
Pouco retorno para o esporte
A contrapartida prometida pela FIFA é pequena (727 milhões de dólares ou R$ 4 bilhões), considerando-se as premiações que serão pagas às federações nacionais de futebol. Esse total representa pouco mais de 7% da arrecadação com a Copa do Mundo.
Uma parte desses recursos será destinada a programas de desenvolvimento de competições femininas e das categorias de base. Esse expediente garante alguns programas ligados ao futebol nas 211 federações associadas.
Há quem veja nesse sistema uma forma de manter a fidelidade política aos dirigentes da Federação Internacional. No entanto, na prática, as 20 maiores federações de futebol recebem metade dos recursos distribuídos pela FIFA.
Países-sede financiam as copas
No total, a FIFA estima os custos operacionais da competição em US$ 3,8 bilhões ou R$ 19,7 bilhões. O orçamento da FIFA não inclui despesas com segurança, transporte e eventos para torcedores, assumidas por governos locais e cidades-sede da Copa.
A África do Sul, que sediou a Copa de 2010, gastou 3,9 bilhões de dólares. Em 2014, o Brasil gastou 15 bilhões de dólares com a Copa de 2014. Já a Rússia gastou 14 bilhões de dólares com a competição em 2018.
Vários estádios foram construídos ou ampliados nos países-sede da Copa, por exigência da própria FIFA, gerando custos de obras e manutenção que não compensam os investimentos. As arenas de Manaus, Pantanal (Cuiabá), Dunas (Natal) e Pernambuco (Região Metropolitana do Recife) são heranças do desperdício de dinheiro público.
Desta vez, não há estádios a serem inaugurados na Copa. No entanto, com a movimentação calculada de cerca de 400 mil torcedores, as 16 cidades-sede terão custos extras com o fornecimento de serviços diversos aos torcedores, que serão repassados aos contribuintes estadunidenses, canadenses e mexicanos.
Álbum ficou caro
Uma das formas mais conhecidas mundialmente de divulgação da Copa do Mundo é o álbum de figurinhas com os jogadores de todas as seleções participantes. Desta vez, o consumidor brasileiro está pagando R$ 24,90 pelo álbum e R$ 7,00 pelo pacote com 7 figurinhas.
O problema é que, com 48 seleções na competição, o número total de figurinhas subiu para 980 em cada álbum. A Panini, responsável pelos direitos do material, estima faturar cerca de um bilhão de euros com as vendas em todo o mundo.
Com base em cálculos de probabilidade, especialistas estimam que, sem as trocas entre os colecionadores, pode ser necessário comprar mais de 7 mil figurinhas para completar os 980 espaços do álbum, elevando o custo total para cerca de R$ 7.362,90. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de barrons.com, DCM, Exame, “Copa do Mundo da FIFA: quem fica rico e quem fica de mãos vazias?” (YouTube).


