A administração federal do Brasil considera que o descontentamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o Pix ultrapassa a simples proteção das companhias de pagamento norte-americanas.
Fontes do governo brasileiro sugerem que a principal inquietação da Casa Branca está ligada ao potencial do Pix em facilitar operações comerciais internacionais sem depender do dólar.
A análise sugere que Trump receia que o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil possa ser empregado para “eliminar” o uso do dólar em transações com nações aliadas.
Atualmente, operações comerciais entre países como Brasil e Argentina, por exemplo, precisam necessariamente passar pela conversão para o dólar americano antes de serem transformadas na moeda local do país de destino.
Alternativa ao sistema SWIFT
O governo brasileiro também expressou um segundo receio: o de que o Pix venha a ser uma alternativa ao sistema SWIFT, que é amplamente utilizado para transações financeiras internacionais.
O SWIFT está sob a supervisão dos Estados Unidos, o que proporciona à nação uma forte ferramenta de influência geopolítica — evidenciada pela retirada da Rússia do sistema como uma forma de punição.
Se o Pix se firmar como uma opção viável, os Estados Unidos perderão sua influência sobre o sistema global de pagamentos.
A rapidez do Pix é considerada uma das razões que fazem com que o sistema seja particularmente interessante para essa finalidade.
Diferentemente das operações convencionais, que apresentam várias etapas e podem sofrer atrasos, o Pix possibilita transferências instantâneas entre nações, oferecendo uma solução mais ágil e segura para negociações comerciais globais.
Ameaça de tarifas
Membros do governo federal aguardam para se encontrar virtualmente nesta semana com delegados dos Estados Unidos a fim de discutir as recentes ameaças de tarifas.
Do lado do Brasil, é aguardada a presença do ministro Márcio Elias, responsável pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), juntamente com o ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores.
Do lado dos Estados Unidos, aguarda-se a presença de Jamieson Greer, que é um representante do Departamento de Comércio americano.
A reunião terá como principal assunto a taxa de 25% sugerida pelo USTR, fundamentada na Seção 301, que foi divulgada após investigações que identificaram o Brasil como um agente de práticas comerciais injustas, citando o Pix como um possível risco às companhias dos Estados Unidos.
A administração brasileira acredita que, por se tratar de uma ação voltada única e especificamente para o país, existe espaço para discussões bilaterais e a possibilidade de um acordo.
A taxa de 12,5%, que se aplica à União Europeia e a mais de 50 nações, foi sugerida após denúncias de que esses países não estão enfrentando de forma eficaz o trabalho forçado e a exploração infantil. Contudo, do ponto de vista brasileiro, a perspectiva de negociações diretas em relação a essa tarifa é considerada menos promissora.
Conforme o desfecho da reunião planejada para esta semana, a administração está considerando a chance de um encontro não oficial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump durante a cúpula do G7, que ocorrerá na França. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações da CNN



