Belém – A deputada federal Alessandra Haber (MDB-PA) utilizou suas redes sociais para denunciar uma nova ofensiva de milícias digitais contra seus perfis. No vídeo mais recente, a parlamentar revela que passou a ser alvo de comentários em massa, desta vez em língua inglesa, provenientes de perfis com características claras de automação e inautenticidade. Segundo Haber, o ataque ocorreu logo após ela ter publicado um vídeo denunciando o uso de perfis falsos para atacar jornalistas e adversários políticos que criticam a gestão atual do governo do estado.
No vídeo, Alessandra explica o “modus operandi” dessa estratégia digital: ao inundar uma publicação com comentários de perfis falsos, os algoritmos das redes sociais, como o Instagram, tendem a identificar a atividade como irregular, o que resulta na queda drástica do engajamento e no alcance da denúncia original. Para a deputada, o uso do idioma inglês é uma tentativa de burlar filtros locais e dificultar a identificação imediata dos responsáveis, evidenciando uma estrutura profissional por trás dessas ações.
O silêncio institucional que preocupa
A denúncia da deputada traz à tona um problema grave que transcende a esfera política e atinge a própria liberdade de expressão e a integridade do debate público no Pará. No entanto, o que mais causa perplexidade não é apenas a ousadia dos ataques, mas o silêncio ensurdecedor do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e do Poder Judiciário local.
Até o momento, não houve uma movimentação contundente das instituições que deveriam zelar pela ordem jurídica e pelo combate ao crime cibernético e à desinformação. A omissão diante de evidências claras de milícias digitais operando para calar vozes dissidentes — sejam elas de parlamentares, jornalistas ou cidadãos — cria um ambiente de impunidade perigoso.
É imperativo que o Ministério Público e a Justiça do Pará saiam da inércia. A proteção das instituições democráticas depende da fiscalização rigorosa desses abusos. Quando ataques coordenados são ignorados pelas autoridades, a mensagem enviada à sociedade é de que o crime digital compensa e que a liberdade de crítica está sob ameaça constante.
A sociedade paraense aguarda uma resposta institucional à altura da gravidade dos fatos narrados pela deputada Haber. O combate às milícias digitais não pode ser uma bandeira partidária, mas um compromisso inegociável com a verdade e com o Estado Democrático de Direito.


