Henrique Acker – Seis oficiais da tropa de elite do Exército brasileiro (kids pretos) estão entre os dez acusados que estão sendo julgados pelo STF, sob a acusação de articular, planejar e participar diretamente da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
O julgamento foi interrompido após a apresentação das defesas e deve retornar no dia 18 de novembro, quando os quatro membros da primeira turma do Supremo devem apresentar seus votos.
Os planos da Operação Punhal Verde e Amarelo incluíam o assassinato do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do então presidente do STF, Alexandre de Moraes. Além disso, uma série de medidas restritivas e a manutenção do ex-presidente Jair Bolsonaro na Presidência.
Em seu pronunciamento na corte, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a condenação dos nove acusados, entre eles um membro da PF e outros três oficiais do Exército.
O ministro Alexandre Moraes foi categórico ao apresentar seu relatório sobre o caso: “Isso (plano da Operação Punhal Verde e Amarelo) não foi impresso numa gruta, não foi feito escondido numa sala de terroristas. Foi impresso no Palácio do Planalto, na sede do governo brasileiro”.
O próprio general Mário Fernandes, ex-secretário-geral da Presidência no governo Bolsonaro e um dos acusados no processo, admitiu a autoria do documento durante o julgamento do chamado Núcleo 2. Entre 2018 e 2020, Fernandes chefiou o Comando de Operações Especiais, conhecido como “kids pretos”.
“Confirmo. Esse arquivo digital nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado — um compilado de dados, um estudo de situação, uma análise de riscos que eu fiz e, por costume próprio, resolvi inadvertidamente digitalizar”, reconheceu Fernandes durante o julgamento. Ele está preso desde novembro de 2024.

Conheça os dez réus e as acusações da PGR contra eles:
. Bernardo Corrêa Netto (Coronel do Exército)
Acusação – Pressionou o comandante do Exército a apoiar o golpe. Além disso, organizou encontros de militares das Forças Especiais (kids pretos) e incentivou a divulgação de uma carta dirigida ao comandante do Exército, visando influenciar a Alta Cúpula a aceitar o decreto de ruptura democrática.
. Estevam Theophilo (General da reserva)
Acusação – Estimulou Bolsonaro a assinar o decreto golpista e se comprometeu a coordenar a ação militar para consumar a ruptura, caso o golpe fosse formalizado. Também atuou para pressionar o então comandante do Exército, visto como possível obstáculo aos objetivos do grupo.
. Fabrício Moreira de Bastos (Coronel do Exército)
Acusação – Participou de reuniões dos kids pretos e ajudou a formular diretrizes para a execução do golpe. Produziu o documento “Ideias Força”, que propunha ações para acelerar a adesão interna no Exército e disseminar operações de desinformação e mobilização.
. Hélio Ferreira Lima (Tenente-coronel do Exército)
Acusação – Autor da “Operação Luneta”, documento que detalhava fases do golpe: prisão de ministros do STF, gabinete de crise, controle das instituições e campanha de desinformação. Participou do monitoramento do ministro Alexandre de Moraes.
. Márcio Nunes de Resende Júnior (Coronel do Exército)
Acusação – Cedeu as dependências do prédio onde reside para reunião dos “kids pretos” e integrou a articulação para influenciar seus superiores. A PGR destaca que ele aderiu ao plano golpista, mesmo sabendo da inexistência de fraude eleitoral.
. Rafael Martins de Oliveira (Tenente-coronel do Exército)
Acusação – Foi um dos idealizadores da operação “Copa 2022”, para sequestrar e matar Alexandre de Moraes. Fazia a gestão de recursos financeiros para a execução dos planos golpistas. Parte desse dinheiro foi repassada a Mauro Cid pelo então candidato à vice-presidência de Bolsonaro, o general Walter Braga Netto.
. Rodrigo Bezerra de Azevedo (Tenente-coronel do Exército)
Acusação – Atuou na operação “Copa 2022” e participou diretamente do monitoramento de Alexandre de Moraes. Usou técnicas para tentar operar no anonimato e aparelhos clandestinos para ocultar a operação.
. Ronald Ferreira de Araújo Júnior (Tenente-coronel)
Acusação – Assinou e divulgou carta de pressão ao então comandante do Exército. Segundo a PGR, não há prova de sua participação direta no núcleo golpista. Por essa razão, a procuradoria reconsiderou a denúncia e pediu sua condenação somente por incitação à animosidade entre Forças Armadas e instituições.
. Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (Tenente-coronel)
Acusação – Atuou na difusão pública e digital da carta de pressão e buscou enfraquecer autoridades militares que resistiam ao golpe, apesar de saber que as alegações de fraude eleitoral eram falsas.
. Wladimir Matos Soares (Agente da Polícia Federal)
Acusação: Forneceu informações estratégicas sobre a segurança da posse presidencial ao grupo bolsonarista e auxiliaria na etapa de assassinato de autoridades para criação de caos social que justificasse medidas de exceção no país.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações da CNN Brasil, Carta Capital, G1, Gazeta do Povo e imagem da Veja.



