O parlamentar italiano Angelo Bonelli levanta a hipótese de que o governo da Itália desconhece o local onde se encontra a ex-deputada Carla Zambelli. Ele fez indagações a respeito de um novo pedido de prisão, mas não recebeu retorno.
O parlamentar Angelo Bonelli, integrante da coalizão Aliança Verde e Esquerda, redigiu uma carta solicitando esclarecimentos ao governo italiano acerca do desaparecimento de Carla Zambelli. A mensagem, datada de 12 de junho e acessada com exclusividade pelo UOL, foi endereçada ao ministro do Interior, Matteo Piantedosi, e ao diretor da Polícia de Estado, Vittorio Pisani.
Perante a falta de resposta por parte das autoridades, o legislador acredita que o governo italiano ignora o paradeiro da ex-deputada brasileira. Bonelli indaga se a nação tem a intenção de cumprir o mandado de prisão preventiva emitido após um segundo aviso vermelho da Interpol.
Zambelli foi liberada em 22 de maio, depois que a Suprema Corte da Itália rejeitou um primeiro pedido de extradição apresentado pelo Brasil. Os magistrados avaliaram que houve falta de equidade no processo brasileiro, destacando que o ministro Alexandre de Moraes exercia simultaneamente os papéis de vítima e de acusador.
Ao sair da penitenciária de Rebibbia, em Roma, a ex-deputada informou o endereço de seu advogado como seu novo local de residência. Ela compartilhou um vídeo comemorando sua liberdade, acompanhada do esposo, coronel Aginaldo de Oliveira, e de seu advogado italiano, Pieremilio Sammarco.
“Até agora, não obtive retorno do governo, e é possível que as forças policiais italianas também não tenham conhecimento sobre a residência de Carla Zambelli. Julgo preocupante que o governo italiano não tenha considerado essencial estabelecer algum tipo de supervisão para assegurar que, caso a extradição seja autorizada, Carla Zambelli seja encaminhada às autoridades judiciais do Brasil“, afirmou o deputado Angelo Bonelli.
Segunda sentença e reeavaliação do caso.
A ex-parlamentar está sendo alvo de um segundo pedido de extradição, fundamentado em uma sentença de cinco anos e três meses de encarceramento. A condenação é decorrente de uma ameaça com arma de fogo e posse ilegal, relacionada ao incidente em que ela perseguiu o jornalista Luan Araújo em São Paulo, na noite anterior ao segundo turno das eleições de 2022.
A sessão na Corte Suprema da Itália para avaliar o segundo pedido de extradição foi agendada para 1º de julho. O Brasil fez a solicitação oficial em outubro de 2025, após a Interpol divulgar um novo aviso vermelho em relação a Zambelli em agosto daquele ano.
Não é a primeira vez que o governo da Itália revela não saber onde Zambelli se encontra. Em junho de 2025, ao chegar à Itália proveniente de Miami, o Ministério do Interior reconheceu que não tinha informações sobre sua localização, que só foi revelada após Bonelli conseguir o endereço e informar às autoridades.
O embaixador brasileiro na Itália declarou que as autoridades do Brasil já haviam intensificado o pedido de detenção de Zambelli perante os órgãos italianos. De acordo com Renato Mosca, essa ação foi tomada em razão do segundo processo de extradição que está em andamento. Até o momento, tanto o pedido do governo brasileiro quanto a carta de Bonelli permanecem sem resposta.
“Logo que foi liberada, lembramos às autoridades italianas que existe, ou melhor, que ainda persiste, uma notificação vermelha ativa em seu nome e que ela segue enfrentando um segundo processo de extradição. Portanto, não havia motivo para sua liberdade,” afirmou Renato Mosca, embaixador do Brasil na Itália. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações da BBC



