Unicamp: furto de material genético é caso isolado

Neste domingo (29), a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) emitiu um comunicado oficial no qual descreve o roubo de vírus do laboratório como um incidente isolado”.

O incidente envolve uma docente da universidade e ocorreu no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia (IB) da instituição, na semana passada. A administração universitária declara que nenhum organismo geneticamente modificado estava entre os itens roubados.

A Unicamp comunica que o laboratório possui classificação de biossegurança B-3 e segue rigorosos protocolos de segurança. O incidente envolvendo a pesquisadora Soledad Miller é considerado um caso singular e está sendo investigado pela polícia.

No anúncio, a administração da instituição afirma que contatou, prontamente, a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

A administração da universidade destaca que a empresa do esposo da professora, a Agrotrix, está envolvida no programa Incamp (Incubadora de Empresas da Unicamp), permitindo assim que utilizem o espaço de escritório compartilhado.

As razões para o desaparecimento dos materiais, bem como as entidades e indivíduos que podem estar implicados na situação, ainda estão sendo apuradas.

Na manhã de 13 de fevereiro, foi identificado o sumiço das amostras no Laboratório de Virologia Aplicada.

O material encontrava-se em uma zona classificada como NB-3, um espaço de elevada segurança biológica que segue protocolos de acesso extremamente rigorosos.

De acordo com o relatório da investigação, Soledad Miller, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), não tinha acesso direto à área onde aconteceu o roubo.

Medidas cautelares

Para acessar os laboratórios, ela teria empregado sua posição para pedir que uma estudante de mestrado desbloqueasse as entradas das áreas restritas.

As amostras removidas foram enviadas para os congeladores de outros pesquisadores sem a devida autorização. Durante a investigação, a equipe de perícia encontrou frascos que estavam abertos e haviam sido manipulados, além de uma quantidade significativa de resíduos jogados em lixeiras comuns no Laboratório de Cultura de Células.

De acordo com a Justiça Federal, essa ação resultou em risco imediato à saúde de outras pessoas.

A detenção em flagrante da suspeita aconteceu na segunda-feira (23), enquanto ela dirigia seu carro em uma rua de Campinas.

Na terça-feira, dia 24, a Justiça Federal decidiu liberar a professora após a audiência de custódia. A decisão estabeleceu algumas medidas cautelares, que incluem:

 

  • Quitação da fiança no montante equivalente a dois salários mínimos.
  • Acesso aos laboratórios da Unicamp está completamente vedado.
  • Impedimento de sair do país sem autorização antecipada e entrega do passaporte.
  • Presença mensal obrigatória na 9ª Vara Federal de Campinas.

 

As infrações apuradas englobam furto agravado, manipulação fraudulenta de processos e transporte inadequado de organismos geneticamente modificados. (Foto: Reprodução/CNN)

Por Opinião em Pauta com informações da CNN

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