Henrique Acker – O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, colocou em dúvida os resultados anunciados da votação do primeiro turno da eleição presidencial, realizada em 31 de maio. Pela contagem preliminar, ainda não confirmada oficialmente, o candidato da extrema direita, Abelardo de La Espriella, obteve 43,7% dos votos válidos, contra 40,7% dos votos dados ao senador Ivan Cepeda, candidato de esquerda.
De acordo com Petro, o sistema em que se baseiam os resultados anunciados é o de uma contagem preliminar, que não tem efeito legal. Ele acusa a empresa Thomas Greg & Sons (TGS) de alterar por três vezes o software de contagem da apuração nas últimas semanas, adicionando 800 mil títulos de eleitores de pessoas não incluídas no censo eleitoral oficial.
Lei prevê revisão da apuração preliminar
Em mensagem divulgada pela rede social X, o presidente colombiano alertou que “centenas de milhares de votos foram adicionados sem a existência de eleitores registrados”. E foi taxativo: “De acordo com a lei, os resultados que o presidente considerará e aceitará são os das comissões eleitorais supervisionadas pelos juízes da República.”
Na Colômbia a contagem preliminar é revisada voto a voto, seção por seção, por um sistema controlado diretamente por comissões eleitorais. Esse processo inicia-se no dia seguinte à votação e deve durar alguns dias.
Caso o resultado oficial confirme que nenhum dos candidatos alcançou mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados concorrem num segundo turno eleitoral, a ser realizado em 21 de junho.
Reações
Abelardo de La Espriella, candidato a extrema-direita, criticou Petro, citou risco à democracia e pediu que os Estados Unidos acompanhem o segundo turno na Colômbia. “Vamos defender a pátria com a razão ou com a força. Que os Estados Unidos da América e países democráticos vigiem esse segundo turno”, afirmou em discurso.
Já Ivan Cepeda, da esquerda, que aparecia em primeiro em todas as pesquisas eleitorais, disse que existe uma discrepância nos dados da eleição. “Estamos falando de 885 mil fichas de inscrição eleitoral”, disse após a divulgação do resultado preliminar.
A eleição colombiana tem papel decisivo para a América do Sul. A Colômbia é o segundo país mais populoso da região. O resultado pode representar um realinhamento com a política dos EUA ou de continuidade com boas relações com o governo Lula, no Brasil.
Ligada às oligarquias
Controvérsias em torno da Thomas Greg & Sons não são recentes. A empresa esteve no centro de polêmicas quando o presidente Gustavo Petro decidiu excluí-la do modelo de emissão de passaportes.
“Este governo não se ajoelha perante Thomas e Gregg (sic), cujo conselho de administração inclui ex-presidentes e ex-candidatos à presidência”, afirmou o presidente em um pronunciamento em meados de 2025. Ele se referiu a Noemí Sanín, Ricardo Lozano Forero, Andrés Pastrana e o ex-presidente Juan Manuel Santos, que foram ligados à gestão da empresa em diferentes momentos.
A empresa Thomas Greg & Sons (TGS), pertence aos irmãos Felipe, Camilo e Fernando Bautista, empresários colombianos do ramo de impressão de documentos oficiais e logística. Relações com ex-presidentes e políticos tradicionais na Colômbia, importantes contratos estatais e uma fraude bancária nos EUA marcam a história da empresa Thomas Greg & Sons.
Segundo o jornal mexicano El Excélsior, em 1983 os irmãos Camilo e Fernando Bautista, juntamente com Alberto Duque, foram considerados culpados de fraudar 25 bancos nos Estados Unidos, simulando exportações de café que nunca existiram. A fraude chegou a US$ 130 milhões e deixou uma marca na história colombiana. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de RTVC Notícias, ICL Notícias, Valor Econômico, Agência Brasil e El País.



