Parceiro de Vorcaro repassou R$ 5,2 mi a instituto de Mendonça

O Instituto Iter, fundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa controlada pelo empresário Lucas Kallas, que já foi parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (17) pelo UOL e acrescenta um novo elemento às revelações sobre as relações financeiras e empresariais envolvendo o instituto criado pelo ministro.

A operação entre o Iter e a Cedro Participações foi formalizada em abril de 2024 por meio de um contrato de mútuo conversível, com valor total previsto de R$ 5,9 milhões. Desse montante, R$ 5,2 milhões foram efetivamente repassados ao instituto.

O chamado mútuo conversível permite que o credor, posteriormente, transforme o valor emprestado em participação societária ou opte pelo recebimento do dinheiro de volta, conforme as condições estabelecidas no contrato.

De acordo com o Iter, os recursos foram depositados diretamente na conta da pessoa jurídica e utilizados para custear a estruturação e as atividades da entidade. O instituto afirma que a movimentação foi acompanhada contabilmente.

Repasse interrompido

Em janeiro de 2026, o Iter decidiu interromper os repasses que ainda estavam previstos no contrato e iniciar a devolução dos recursos à Cedro Participações.

No mês seguinte, em fevereiro, André Mendonça foi sorteado relator, no STF, das investigações relacionadas ao Banco Master.

Segundo o Iter, a decisão de encerrar antecipadamente a operação financeira ocorreu porque o instituto já havia alcançado uma condição de sustentabilidade financeira. Um aditivo contratual antecipou o vencimento da dívida e estabeleceu a correção do valor pela taxa Selic.

O instituto informou ainda que, até a publicação da reportagem do UOL, havia devolvido aproximadamente 5,3% do montante devido à Cedro.

Contratos públicos sem licitação

A nova revelação ocorre poucas semanas depois de uma investigação do Núcleo Fórum Investiga apontar que o Instituto Iter havia acumulado pelo menos R$ 10,85 milhões em 55 contratos e instrumentos de contratação pública firmados com órgãos de 14 estados.

Segundo a apuração, 54 desses contratos — o equivalente a 98,2% do total — foram celebrados sem prévia licitação.

Na mesma manhã em que a investigação foi publicada, veio a informação de que André Mendonça havia decidido deixar a sociedade no Instituto Iter. A entidade deverá passar por uma transformação e funcionar como organização sem fins lucrativos.

A sequência de informações coloca sob escrutínio as relações financeiras e institucionais mantidas pelo Iter e seus vínculos com empresas e empresários que aparecem em diferentes contextos das investigações envolvendo o Banco Master. (Foto: STF)

Por Opinião em Pauta com informações do UOL

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