Operação contra lavagem mira Faria Lima, centro financeiro do país

Nesta quinta-feira (28), uma nova etapa da Operação Carbono Oculto foi conduzida, focando em um esquema ilícito no segmento de combustíveis que envolve fraudes, evasão fiscal e lavagem de dinheiro utilizando fintechs, além de uma “máfia do nafta”, com ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Denominada Fluxo Oculto, a operação realizada pelo grupo de atuação e combate ao crime organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, executou aproximadamente 60 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Os alvos principais incluíam empresários, intermediários logísticos e figurantes na trama, que, conforme apurado na investigação, mantiveram suas atividades mesmo após ações policiais anteriores, como a Carbono Oculto, demonstrando um elevado nível de organização.

O grupo começou a reunir atividades de vários postos com o objetivo de enganar a fiscalização e as investigações.

Em uma das situações, as transações de 56 postos de gasolina eram realizadas em uma conta única. Ademais, nos últimos meses, os investimentos foram transferidos entre diferentes fintechs, e novas empresas passaram a substituir aquelas que estavam expostas.

 

Esquema do PCC

O PCC se revela na apuração como um beneficiário indireto das transações financeiras, fazendo parte do mesmo sistema financeiro ilícito, utilizando as mesmas fintechs para encobrir, disfarçar e movimentar dinheiro proveniente de atividades ilegais.

Isso é o que o Ministério Público denomina de: “convergência criminosa” (divisão de recursos entre organizações).

  1. As entidades utilizadas pelo grupo também prestam serviços ao PCC: SISPAY e VPAY possuem um registro de fraudes e conexões com o PCC.
  2. Organizações envolvidas no esquema movimentam recursos financeiros relacionados ao PCC: foram detectados fluxos monetários entre fintechs, empresas do grupo e entidades ligadas ao PCC.
  3. Relação direta com indivíduos: Ricardo Romano, identificado como vinculado ao PCC na área financeira.

 

Lavagem de dinheiro e delação

A pesquisa revelou que a operação, comandada por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de “Beto Louco”, foi responsável por processos de lavagem de dinheiro utilizando fintechs. Eles modificaram estruturas empresariais e administrativos para seguir mascarando bens associados à fraude de combustíveis e evasão fiscal, além de manter ligações com o PCC.

Os dois estão em fuga desde agosto do ano anterior, mas em razão da Operação Tank, iniciada pela Polícia Federal no mesmo dia da Carbono Oculto.

Os empresários buscaram firmar um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público de São Paulo, contudo, a oferta foi recusada pelos procuradores. Segundo o MP, houve omissões por parte dos empresários em relação a dados sobre lavagem de dinheiro, ligações do esquema com o PCC e corrupção nas forças policiais.

Os relatórios de inteligência financeira indicaram transações irregulares e suspeitas que totalizaram cerca de R$ 4 bilhões, destacando que a utilização de fintechs e plataformas de pagamento atuou como “canalizações financeiras” para o grupo.

Mafiosos em ação

Em diferentes ações realizadas na operação de hoje, os investigadores estão executando ordens judiciais contra organizações e indivíduos envolvidos na “máfia do nafta” e na falsificação de combustíveis.

A equipe recorria a companhias que importavam solventes petroquímicos, com uma carga tributária bem mais baixa, para comercializá-los de forma clandestina como se fossem gasolina para veículos.

A perda resultante da evasão fiscal é calculada em mais de R$ 200 milhões, considerando a discrepância tributária registrada.

 

Indivíduos e Organizações Participantes:

 

  • Líderes e Funcionários: Mohamad Hussein Mourad e “Beto Louco” (chefes), Lucas Tomé Assunção (responsável contábil da equipe).
  • Instituições financeiras tecnológicas e seus administradores: BK Bank, Ceopag (associada a Kawel Rodrigo Lotti), Sispay (Marcelo Artur Motta Ramos Marques e Vera Lúcia Teixeira), Vpay, Yaw e Smart Solutions Group.
  • Relações com o PCC: A Yaw estabeleceu uma conexão com o esquema por meio da Shelby Holdings, que está associada a Ricardo Romano (que está sob investigação por supostos vínculos com o PCC). A Sispay também apresentou laços com Luiz Sérgio Ferreira da Mota, que já havia sido alvo de ações anteriores contra a máfia dos ônibus relacionada à mesma facção.  (Foto: MP/SP)

 

Por Opinião em Pauta com informações do G1

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