Lula aprovou pelo telefone nota contra tarifaço de Trump.

Na terça-feira, 2, ocorreu uma reunião urgente entre os principais membros do governo para debater a resposta à sugestão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou por telefone para validar o comunicado emitido após o encontro.

Decidiu-se também que os ministros irão se reunir com representantes dos Estados Unidos para impedir a implementação das sanções. Em sua participação, Lula, que estava em Catalão, uma cidade localizada no interior de Goiás, expressou a posição do governo, alinhando-se ao discurso que fez publicamente logo depois.

Durante sua fala, o presidente atribuiu culpas ao pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o qualificou como “imbecil” e “traidor da nação”, referindo-se ao senador, que pode ser seu adversário nas eleições de outubro. Além disso, solicitou a Donald Trump que honrasse o compromisso assumido na recente reunião que tiveram na Casa Branca, onde foi acordado que haveria uma prorrogação de 30 dias para as negociações entre suas equipes.

Em uma apresentação com caráter eleitoral, a quatro meses das eleições nas quais tentará se reeleger, Lula vinculou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro – incluindo o deputado federal destituído Eduardo Bolsonaro (PL) — à escolha feita pelos Estados Unidos.

 

 

Família Bolsonaro

Em comunicado emitido pelo Palácio do Planalto, o governo ressaltou que não existem razões para ações unilaterais contra o Brasil, refutou os argumentos levantados por Washington e considerou a investigação uma tentativa de interferir nos assuntos internos do país. O documento também critica a família Bolsonaro e reprova iniciativas que, segundo a análise do Executivo, visam prejudicar os interesses econômicos brasileiros durante as negociações comerciais entre as duas nações.

A convocação urgente do governo, que ocorreu no escritório da Vice-Presidência, contou com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, além dos ministros Dario Durigan (Fazenda), Marcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social). O Ministério das Relações Exteriores teve a representação de Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente, devido à ausência do ministro Mauro Vieira, que está fora do país.

Definição de estratégia

Atualmente, não planos para que o presidente Lula entre em contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O primeiro membro do governo brasileiro a discutir a decisão com uma autoridade americana será Elias Rosa. Dentro do grupo de trabalho formado após a visita de Lula a Trump no início de maio, cujo objetivo é debater tarifas, o ministro da Indústria e Comércio se encontrará com o representante de Comércio, Jamieson Greer, provavelmente na semana seguinte.

Dario Durigan irá procurar autoridades nos Estados Unidos, mas antes de estabelecer esses contatos, ele se reunirá com Lula nesta quarta-feira para discutir e definir a estratégia. (Foto: Ricardo Stuckert)

Por Opinião em Pauta com informações de O Globo

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