Henrique Acker – Chega a duas semanas a mobilização popular na Bolívia contra o governo de direita de Rodrigo Paz. De acordo com a Administradora Boliviana de Estradas (ABC), só nesta segunda-feira, 18 de maio, 28 rodovias foram bloqueadas pelos manifestantes em todo o país.
O movimento é motivado por uma grave crise econômica, escassez de combustíveis — que elevou os preços das mercadorias — e uma lei fundiária que favorece o agronegócio. Nos últimos dias ganhou força a luta pela destituição de Paz, eleito há apenas seis meses.
O fim dos subsídios nacionais aos combustíveis, decretado em dezembro de 2025, fez disparar o preço da gasolina e do diesel, afetando diretamente transportadores e agricultores. A nova lei que permitia a hipoteca de terras gerou revolta nas áreas rurais e foi o estopim para a união com os trabalhadores das cidades.
Campo e cidade
Em abril, professores e profissionais de saúde entraram em greve, denunciando demissões arbitrárias, falta de condições de trabalho e salários não pagos.
A partir de 1.º de maio, o movimento tomou proporções nacionais. Liderados por mineiros, camponeses e motoristas, os manifestantes bloquearam rodovias e entraram em confronto com a polícia em La Paz, exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz.
A Central Operária Boliviana (COB) decretou greve geral por tempo indeterminado. Milhares de manifestantes vindos de diversos pontos do país marcharam pela capital, onde mineiros entraram em confronto com a polícia.
Em 13 de maio, o presidente Rodrigo Paz suspendeu a lei de hipoteca de terras, concedendo 60 dias ao Parlamento para debater um novo texto. A medida não foi suficiente para acalmar as ruas. Povos originários e camponeses querem a revogação da lei.
Os manifestantes mantiveram os protestos para exigir reformas trabalhistas, melhorias salariais e, em alguns setores, a renúncia do atual presidente. O ex-presidente boliviano Evo Morales denunciou na sexta-feira (15/5) que os Estados Unidos, com o apoio do governo de Rodrigo Paz, estão planejando sua prisão ou até mesmo seu assassinato.

Contra a privatização
No sábado, 16 de maio, a polícia desencadeou uma grande onda de repressão contra os grevistas e manifestantes. Pelo menos 57 pessoas foram presas na operação conjunta de mais de 3.500 policiais e militares.
A direção da COB reagiu, conclamando toda a população a aderir ao movimento dos trabalhadores. Mario Argollo, dirigente da Central, enfatizou que o pacote de dez leis do governo Paz para reativar a economia e reformar o Estado prejudica a grande maioria e favorece as empresas transnacionais.
A COB denunciou que o governo Rodrigo Paz pretende impor a privatização na Bolívia e que isso poderá gerar aumentos nos preços da eletricidade, água potável, gás liquefeito de petróleo (GLP) e gás natural veicular (GNV).
Os trabalhadores pedem aumentos salariais – inclusive o salário mínimo -, estabilização da economia, não privatização de empresas e a renúncia do presidente Paz. Setores de oposição acusam o governo de Rodrigo Paz de privilegiar acordos que favorecem o capital estrangeiro em detrimento das maiorias. (Fotos: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de La Época, TeleSur, Brasil 247, Agência Brasil e Folha MS.



