Em um artigo divulgado nesta segunda-feira, 13, o jornal Estado de S. Paulo voltou a focalizar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tentando desmantelar a imagem de um candidato forte e aceitável entre os conservadores. Com o título “Os ‘esqueletos‘ de Flávio Bolsonaro“, a publicação argumenta que o filho de Jair Bolsonaro possui responsabilidades políticas e questões judiciais excessivas para ser considerado um nome que reúna as diferentes facções da elite brasileira em uma corrida presidencial.
Conforme reportado pelo Estado de S. Paulo, Flávio estava em uma situação favorável como a figura proeminente da oposição, sustentado pelo capital político herdado do pai e por resultados positivos nas sondagens eleitorais. No entanto, o editorial aponta que essa tranquilidade começou a desmoronar quando o senador começou a ser questionado publicamente sobre questões que marcaram sua carreira, em particular o esquema das chamadas “rachadinhas” em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O artigo menciona que, durante uma conversa no podcast Inteligência Ltda., realizada no dia 6, Flávio Bolsonaro foi indagado sobre as apurações acerca da apropriação de salários de seus assessores durante seu mandato como deputado estadual. Para o editorial, esse foi o instante em que os “segredos comprometedores” do político voltaram a ser discutidos, exatamente quando sua pré-candidatura busca aumentar sua visibilidade em âmbito nacional.
Conforme destacado no editorial, a situação é significativa. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apresentou uma denúncia contra Flávio, alegando que ele estaria à frente de uma organização criminosa dedicada à apropriação de verbas públicas, retendo uma fração dos salários dos colaboradores de seu gabinete. Estima-se que o esquema tenha gerado aproximadamente R$ 6 milhões em movimentações.
No epicentro das investigações está Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador na Alerj, antigo policial militar e peça fundamental do caso. O texto ressalta que as informações sobre a trama surgiram em 2018 e se tornaram um dos marcos mais significativos da crise moral do bolsonarismo, que se posicionou como um movimento anticorrupção ao mesmo tempo em que acumulava sérias suspeitas sobre membros de sua própria família.
Durante a discussão sobre o assunto no podcast, Flávio Bolsonaro descreveu as investigações como uma “espuma” criada para “arruinar” sua imagem. Ele reiterou a alegação de que Queiroz teria atuado de forma autônoma, sem seu consentimento ou ciência. O editorial aborda essa defesa com sarcasmo e rigidez.
Ao analisar o texto, se a versão do senador fosse correta, isso indicaria uma falha administrativa significativa, uma vez que um assessor de sua confiança teria conduzido um esquema ilegal no gabinete por um longo período sem sua supervisão. Caso a afirmação não seja verdadeira, a situação se torna ainda mais preocupante: ela acentua a suspeita de que Flávio Bolsonaro está diretamente envolvido em um esquema de peculato e outras infrações relacionadas à gestão pública.
O editorial também faz uma crítica à tentativa do senador de insinuar que sua situação legal estaria esclarecida de maneira favorável. Em uma entrevista, Flávio declarou que nunca foi considerado réu em um processo penal, um argumento que, conforme o texto, parece ter a intenção de passar ao público a ideia de que ele teria sido absolvido.
O Estado de S. Paulo contesta essa versão e argumenta que as ações contra o senador não foram encerradas por uma declaração de inocência, mas sim suspensas por determinações de caráter processual. Assim, o editorial evidencia que não ocorreu um julgamento substancial que justificasse qualquer tipo de declaração de absolvição política ou ética.
O texto também estabelece uma comparação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reforçar seu ponto de vista jurídico. De acordo com o editorial, assim como Lula não foi “inocentado“ no contexto da Lava Jato devido à anulação de processos por falhas processuais, Flávio Bolsonaro também não teria a legitimidade para apresentar essa argumentação, uma vez que não passou por um julgamento e absolvição em relação ao conteúdo das imputações feitas contra ele.
Além das questões relacionadas às rachadinhas, o editorial aborda outro aspecto delicado da trajetória de Flávio Bolsonaro: sua ligação com milícias e a aceitação da atuação desses grupos no Rio de Janeiro. O texto menciona um discurso de 2007, em que o então deputado estadual fez elogios à milícia, caracterizando-a como um “novo modelo de policiamento.”. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações de O Estadão



