Esperar pelo Messias é esperar em vão o improvável

Brasília (OP)  –  No reino das nossas instituições políticas-democráticas parece reclamar há muito pela chegada de um Messias que possa ajudar a concretizar as aspirações de salvação e redenção da fragilizada e recorrentemente vilipendiada democracia brasileira, caraterizada pelo desacato ético entre os poderes da república.

Tancredo Neves desejou refundar a República sob novo valores políticos, democráticos e norteada pelos maiores valores éticos-republicanos. Morreu sem ter tido condição de implementá-los com a sonhada Nova República.

Parece que nesses tempos de ventos de liberdade e democracia plena, alguns ainda não entenderam ou ignoram propositalmente que liberdade e democracia são indissociáveis de responsabilidades, sobretudo para os que ocupam as funções de mais alto relevo na estrutura da República.

O Plenário do Senado Federal, após vastas, duvidosas, intensas e sombrias negociações políticas para a apreciação do nome de Jorge Messias indicado a ocupar uma cadeira de Ministro do Supremo Tribunal Federal, simplesmente rejeitou a indicação do advogado-geral da União. Rejeição histórica, posto que é feito inédito desde 1894, e, também, pelo fato inegável de que o indicado preencheu todos os requisitos técnico-jurídico-moral para o desempenho de tão relevante cargo. A rejeição deveu-se pelo apequenamento moral da prática política brasileira, hoje quase que exclusivamente lastreada por interesses inconfessáveis e manifestamente prejudiciais a vida nacional.  O placar foi de 42 votos contrários e 34 votos favoráveis e uma abstenção, em escrutínio secreto. Tal resultado fala por si só.

A indicação seguiu estritamente o rito constitucional: sabatina na Comissão de Constituição e Justiça – aprovado por 16 x 11 votos) e votação em plenário. Contudo deve-se observar que a indicação não foi rejeitada em razão da ausência de qualquer requisito de qualificação do indicado exigida em lei. E sob está ótica a decisão não é nula, mas resta inescapável a sua natureza de inexistência moral.

Registre-se por necessário e verdadeiro que o doutor Jorge Messias é uma pessoa preparada, jurista, com larga experiência, elevado espírito público, tendo uma vida dedicada ao serviço público, o que lhe enriquece também em experiência.

A decisão dos senhores senadores parece sequer se importar com as consequências e prejuízos em razão da demorar na apreciação – quase 5 meses – e o resultado nefasto, o único objetivo importante era impor uma derrota política ao presidente da república responsável por submeter o nome de Jorge Messias à apreciação do Senado da República. De consequência levou-se uma indicação técnica e inegavelmente qualificada para a execração na várzea da rapinagem política como se isso possibilitassem ganhos eleitorais futuros. O tempo irá dizer, e, quem sabe de forma categórica, o quanto se perdeu em valores.

Os agentes políticos não têm o direito de apequenar o Brasil, mostrando aos olhos do mundo como um país insignificante como se fosse uma opereta de malandro que põe sempre seus interesses privados acima dos da nação. (Foto: Reprodução)

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