Dispara apreensão de canetas emagrecedoras vindas do Paraguai

No dia 16 de abril deste ano, durante uma perseguição em alta velocidade na rodovia PR-445, nas proximidades de Cambé, no interior do Paraná, a polícia conseguiu parar um carro que transportava uma carga ilegal de alto valor. Entre os 880 celulares e 55 notebooks, foram encontradas aproximadamente 7 mil ampolas de tirzepatida, um dos componentes ativos utilizados em canetas para emagrecimento, que foram apreendidas junto a dois suspeitos. Além disso, a carga incluía ampolas de substâncias anabolizantes e foi avaliada pela Receita Federal em R$ 2 milhões.

No andamento do caso na Justiça Federal, o condutor admitiu que receberia R$ 5 mil para transportar a carga da cidade de Medianeira, localizada no Paraná, que faz limite com o Paraguai, até São Paulo.

O incidente não é único: o comércio ilegal de remédios para emagrecimento, especialmente aqueles que utilizam o GLP1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, está se expandindo rapidamente no Brasil.

Informações da Polícia Federal acessadas pelo GLOBO através da Lei de Acesso à Informação indicam que, apenas nos primeiros cinco meses de 2026, as cifras de apreensões superam em mais de duas vezes os dados de 2025.

As apreensões aumentaram de 9 ocorrências em 2024 para 335 em 2025, alcançando um total de 758 neste ano. Durante o intervalo de janeiro até meados de junho, o crescimento foi de 37 para 758 casos em um único ano, representando um aumento de aproximadamente 20 vezes. Até 2023, não havia registros desse tipo nos sistemas analisados pela corporação.

Os registros também mostram um crescimento nas denúncias de efeitos colaterais junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): em 2023, houve 257 notificações, em 2024, esse total subiu para 449 e, em 2025, o número mais que dobrou, alcançando 1.122.

A geografia das apreensões indica um caminho de acesso claramente demarcado, semelhante ao da apreensão de R$ 2 milhões em Cambé. Uma grande parte dos produtos origina-se do Paraguai, atravessando para o Brasil via Paraná ou Mato Grosso do Sul, com destino aos polos de consumo em São Paulo e Rio de Janeiro.

O Paraná, isoladamente, é responsável por 37% das detenções e por mais de 50% da quantidade total confiscada; quando considerado em conjunto com Mato Grosso do Sul, a região de fronteira com o Paraguai representa quase 50% dos incidentes e 60% das apreensões. Esse padrão é associado pela própria Polícia Federal, em um relatório, ao contrabando que cruza a tríplice fronteira em Foz do Iguaçu e percorre estradas frequentemente utilizadas pelo tráfico de drogas.

Esse processo é enriquecido pelo transporte aéreo, que possibilita a movimentação ágil de volumes menores entre localidades, além de envios postais internacionais que expandem a distribuição por meio do comércio online. Os bandidos frequentemente empregam métodos como a fragmentação de cargas, disfarce em veículos e a utilização de formiguinhas (dividir o transporte da carga entre diversas pessoas ou em várias viagens para evitar a fiscalização aduaneira).

No mês de abril, a Polícia Federal, em colaboração com a Anvisa, realizou uma ação para combater a entrada ilegal, a fabricação clandestina, a falsificação e a comercialização ilícita de canetas para emagrecimento. Ao todo, 45 mandados de busca foram executados, além de operações de fiscalização em 12 estados.

Entre 2024 e o meio de 2026, aproximadamente 175 mil itens foram confiscados. Esses itens não se limitam a canetas, englobando também ampolas, frascos e diversos outros tipos de embalagens. (Foto: Alexandre Cassiano)

Por Opinião em Pauta com informações de O Globo

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