Juizado Nacional Eleitoral do Peru (JNE) declarou Keiko Fujimori como a presidente eleita do país, confirmando os resultados divulgados recentemente pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
A decisão acontece depois que o Segundo Tribunal Constitucional de Lima considerou sem base a solicitação feita por um advogado independente, que pretendia interromper a declaração de Keiko Fujimori como a presidente eleita da nação andina.
A resolução, anunciada nesta sexta-feira pelo juiz Jonathan Valencia López, removeu o último impedimento que barrava a confirmação do resultado do segundo turno das eleições, realizado há quase um mês, em 7 de junho.
O requerimento foi apresentado por Tomás Soldevilla Guerra, pedindo a “interrupção temporária e imediata de quaisquer ações relacionadas à proclamação oficial ou à posse de Keiko Fujimori”.
A solicitação fundamentava-se em dois argumentos essenciais, sendo o primeiro relacionado a uma alegada “inelegibilidade constitucional” de Keiko, em função de sua nacionalidade japonesa. Embora tenha nascido no Peru, a política teria escolhido a nacionalidade de seus ancestrais ao se deparar com dificuldades legais devido a acusações de corrupção durante sua gestão à frente do partido Força Popular, de viés extremista.
O segundo ponto está ligado às penalizações que Keiko sofreu por parte do sistema judicial devido a delitos de corrupção. É importante destacar que a chefe da direita radical esteve detida por ordem judicial de outubro de 2018 até novembro de 2019, durante as apurações que envolviam os desdobramentos internacionais da Operação Lava Jato.
O informante destaca que, além de Keiko, a família Fujimori possui várias condenações judiciais. Entre os casos está o do deputado Kenji Fujimori, que está sob investigação por desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro. Ele já foi detido preventivamente, mas atualmente está em liberdade.
Além do exemplo de seu irmão, sobressai ainda mais o de seu falecido pai, o ditador Alberto Fujimori (1990-2000), que foi julgado e condenado por delitos de corrupção e por transgressões aos direitos humanos durante seu governo.
A deliberação do Tribunal Constitucional possibilitou que o JNE oficializasse o resultado divulgado pela ONPE nesta segunda-feira (29/06), depois de contabilizar 100% das urnas do segundo turno das eleições presidenciais no Peru.
O relatório de conclusão da investigação revela que a candidata de direita, Keiko Fujimori, está à frente, com 9,22 milhões de votos, representando 50,13%.
Roberto Sánchez, candidato de centro-esquerda e integrante da aliança Juntos Pelo Peru, ficou em segundo lugar na eleição, recebendo 9,17 milhões de votos, o que corresponde a 49,86%. A margem entre ele e o primeiro colocado foi de pouco mais de 49 mil votos.
A aliança Juntos Pelo Peru declarou que não aceitará a conquista de Keiko e que tentará anular o resultado, tanto por meio de ações na Justiça Eleitoral quanto por meio de mobilização da população contra a validação da vitória de Keiko. (Foto: Reuters)
Por Opinião em Pauta com informações Opera Mundi



