Brasil adota reciprocidade e agente dos EUA sai do país.

Michael Myers, funcionário do governo dos Estados Unidos em atuação no Brasil, deixou o território brasileiro em resposta a uma ação de reciprocidade do Itamaraty. A notícia foi inicialmente publicada pelo jornal Valor Econômico e posteriormente confirmada pela coluna. Ele desembarcou ontem em solo americano.

A partir de 2024, Myers assumiu a função de gerenciar a troca de informações e inteligência entre a Polícia Federal e o serviço de imigração dos Estados Unidos, conhecido como ICE.

O Ministério das Relações Exteriores optou pela expulsão do cidadão americano, seguindo uma decisão similar tomada pelo governo de Donald Trump em relação a um funcionário brasileiro. O delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, teve que deixar os Estados Unidos após participar da detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

A prisão de Ramagem foi motivo de celebração para a Polícia Federal, que creditou o sucesso à colaboração com as autoridades dos Estados Unidos. Em comunicado, a PF afirmou: A detenção é resultado da parceria internacional entre Brasil e EUA no enfrentamento ao crime organizado.“.

A demonstração gerou descontentamento em Washington, que acreditou que Carvalho levou a liderança da PF a cometer um engano ao se apropriar da responsabilidade pela prisão de Ramagem e pela suposta colaboração que não teria ocorrido. Dessa maneira, isso seria uma violação da confiança, justificando a revogação do visto do agente. Carvalho detinha um visto diplomático, concedido em função de seu trabalho com o ICE.

Em uma publicação no X que não menciona Carvalho explicitamente, o Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado declarou que “nenhum cidadão estrangeiro deve usar nosso sistema de imigração para evitar pedidos de extradição e prolongar perseguições políticas em solo americano. Neste dia, solicitamos que o funcionário brasileiro envolvido se retire de nosso país por tentar realizar essa ação.“.

Como resposta, o Itamaraty optou por agir de forma recíproca, ordenando a expulsão do cidadão americano que exercia uma função equivalente à do delegado da PF que estava no Brasil. Através das redes sociais, o governo brasileiro afirmou que a decisão do governo Trump não se alinha às boas práticas diplomáticas que deveriam existir entre países que mantêm relações amistosas.

De acordo com fontes do Itamaraty, a Polícia Federal decidiu revogar as autorizações de trabalho de um segundo oficial dos Estados Unidos no Brasil, visando proteger informações confidenciais enquanto o governo brasileiro avaliava sua resposta à decisão unilateral dos EUA que resultou na expulsão do delegado brasileiro na última segunda-feira.

A escolha da diplomacia brasileira foi adotar rigorosamente o princípio da reciprocidade, que estipulava exclusivamente a solicitação de retirada do Brasil de um empregado norte-americano com funções e situações comparáveis às do delegado Carvalho.

Na imagem destacada, delegado Marcelo Ivo de Carvalho. (Foto: Reprodução)

Por Opinião em Pauta com informações do UOL

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