O ator americano Jim Caviezel, que interpretou o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse“, manifestou inquietação contínua em relação à sua segurança enquanto filmava no Brasil, o que o levou a deixar o país antes de finalizar as gravações. Conforme relatos de membros da equipe ao jornal O Globo, Caviezel solicitou medidas adicionais de proteção e acabou sendo substituído por dublês em algumas das cenas finais.
O filme recebeu apoio financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, que está sendo investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e outras infrações. Segundo as informações, Caviezel chegou ao Brasil cerca de dez dias após o início das filmagens e ficou no país por aproximadamente seis semanas, acompanhado por uma equipe de segurança composta por dois agentes dos Estados Unidos e dois do Brasil.
Considerado uma pessoa discreta fora das câmeras, o ator preferia não interagir com boa parte da equipe brasileira, ficando recluso em um trailer auxiliar durante as pausas. A produção ainda contava com “stand-ins“ para as práticas e ajustes técnicos antes de sua entrada em cena.
De acordo com os participantes do projeto, a atmosfera nos bastidores era permeada por preocupações ligadas ao aspecto político da produção. “Havia o medo de que o MST invadisse o local das filmagens, entre outras situações semelhantes”, contou um integrante da equipe ao jornal. Além disso, relatos indicam que Caviezel ficou particularmente perturbado ao acompanhar as notícias de uma grande operação policial ocorrida no Rio de Janeiro, em outubro, que resultou em 122 fatalidades.
Dentre as ações implementadas, havia inspeções regulares nos membros da equipe e a restrição do uso de celulares durante as filmagens. O Hospital Indianápolis, que serviu como locação para a internação de Bolsonaro, foi submetido a um isolamento pela equipe de segurança da produção, que utilizou tecnologia de reconhecimento facial para gerenciar a entrada no local.
Assédio moral reclamado no sindicato
A revista Fórum entrevistou o ator Bruno Henrique, que contou ter sido atacado pela equipe de segurança durante uma filmagem no dia 21 de novembro, no Memorial da América Latina.
A produção estabeleceu que não era permitido o uso de celulares no set de gravação, mas não disponibilizou armários para que os atores pudessem armazenar seus itens pessoais. Devido a preocupações de segurança, ele optou por levar o telefone durante a filmagem. No entanto, ao ser revistado, a equipe de segurança não apontou um local para o armazenamento do celular.
“Um cidadão americano que pegou a blusa onde eu tinha o celular da minha mão se aproximou, agarrou meu braço e me empurrou para fora do lugar onde a revista estava acontecendo. Nesse momento, ele me puxou pelo braço e começou a me arrastar para me expulsar do Memorial,” contou Bruno.
“O segurança bateu na minha mão e avançou em minha direção com a intenção de me atingir. Estive a um passo de cair do lugar onde estava. Ele realmente me socou e, por causa disso, fiz o registro da ocorrência. Eu estava usando óculos e, ao descer para pegá-los, ele me derrubou com um golpe por trás.“.
Bruno também presenciou diversas irregularidades: “É comum notar pagamentos que não foram realizados. Você aguarda 30 dias para receber e, ao final desse período, não há nenhum pagamento; frequentemente, nem sabemos se realmente iremos receber”, contou. “Muitas pessoas lá ingeriram alimentos estragados, ficaram doentes, e houve quem não tivesse acesso ao banheiro, tendo que se sujar”, relatou.
Cerca de 15 profissionais protocolaram queixas junto ao Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo, denunciando experiências que consideraram embaraçosas durante as revistas pessoais efetuadas no set. Um membro da equipe declarou que essas ações estavam ligadas ao receio do ator durante a filmagem da cena em que Bolsonaro foi esfaqueado em 2018.
“Ele manifestou receio de ser atingido por uma faca de verdade enquanto filmava a cena da facada em Bolsonaro. Por esse motivo, havia a necessidade de que todos os figurantes passassem por revistas ao longo das gravações”, revelou o profissional. (Foto: Divulgação)
Por Opinião em Pauta com informações de O Globo/ Revista Forum



