Minas, Rio e SP consolidam governos alinhados à direita

Henrique Acker –  Os três governadores dos estados com maior importância econômica e política do país terminam seus mandatos, em 2026, com rombos financeiros e dívidas bem superiores às que encontraram quando assumiram seus cargos.

Via de regra, governadores e prefeitos reclamam da falta de recursos e cobram investimentos do Governo Federal, mas praticamente todos usam e abusam da Lei de Incentivos Fiscais, que isenta grandes empresas do pagamento de impostos. Quase nunca as contrapartidas prometidas – gerar empregos e renda – se confirmam.

 

Isenções fiscais e crescimento das dívidas

As gestões de Romeu Zema (Novo/Minas Gerais) – candidato à Presidência -, Tarcísio de Freitas (PL/São Paulo) – que tenta a reeleição – e Cláudio Castro (PL/Rio de Janeiro) – afastado do cargo -, deixam evidências do desastre da gestão de governantes ligados à extrema direita.

Basta cruzar os dados das isenções fiscais concedidas a grandes empresas com o crescimento das dívidas dos estados, a privatização de empresas públicas e o financiamento das campanhas eleitorais para constatar que os três estados foram governados para poucos.

Ano a ano, os governos dos estados mais importantes do país aumentaram muito as isenções milionárias de impostos concedidas a grupos empresariais. O resultado com a redução da arrecadação foi o crescimento das dívidas estaduais, entrega do patrimônio de empresas públicas, aumento das tarifas, piora e corte de investimentos nos serviços públicos.

Em Minas, a dívida pública atingiu R$ 201 bilhões, enquanto as isenções de impostos beneficiam algumas dezenas de grandes empresas, inclusive a Eletrozema, da família do próprio governador.

No Rio, sob recuperação fiscal desde 2013 e com uma dívida de R$ 218 bilhões, não se fazem concursos públicos para a contratação de professores e profissionais de saúde há mais de dez anos. A roubalheira foi tão descarada que bastou uma intervenção de alguns meses do governo interino para o estado atingir a melhor arrecadação de ICMS do país no primeiro semestre de 2026.

Em São Paulo, com uma dívida na casa dos R$ 300 bilhões, a receita das privatizações de tudo piorou a já sofrível qualidade de vida da população. A imagem dessa política foi o caos causado pelo incêndio numa composição, logo no primeiro dia da gestão de parte das linhas dos trens urbanos cedida a um grupo privado.

 

Podres poderes

Os resultados confirmam que a extrema-direita não produziu nenhuma diferença substancial no tradicional modo de governar. No Rio de Cláudio Castro, formou-se uma ampla frente com grupos de traficantes do CV e TCP – que o bolsonarismo denuncia como “terroristas” para agradar a Trump – apoiada pela hipocrisia de lideranças evangélicas neopentecostais.

A gestão das escolas públicas estaduais é desastrosa, mantendo a Educação na penúltima colocação no IDEB, com nota 3,7 sobre 10. O emprego de cabos eleitorais em órgãos públicos transformou a máquina do governo num cabideiro, com contratos superfaturados e milhares de parentes e amigos de deputados, gerando custos sem benefício para a população.

Em São Paulo, a marca do governo Tarcísio foi a violência policial desmedida contra o povo pobre, ao mesmo tempo em que parte da cúpula da polícia era subornada para colaborar com os negócios do PCC. De quebra, as privatizações pioraram as condições de vida dos que dependem de serviços públicos, como no caso dos trens urbanos.

A população sofre com o péssimo serviço da Enel, que por diversas vezes deixou partes do Estado e da Capital às escuras após temporais e ventanias. Os trens privatizados foram entregues a uma empresa visivelmente despreparada para tocar a operação das composições, o que causou acidentes e transtornos nas linhas.

Em Minas, o que avança é a desindustrialização do Estado, sob a gestão de Romeu Zema. Houve retração na ocupação industrial na comparação anual, reduzindo postos de trabalho qualificados nas cidades. Pólos industriais tradicionais, como em Betim, Contagem e cidades no sul mineiro, estagnaram e fábricas migraram para outros estados.

A Operação Rejeito, comandada pela PF, desmascarou o pagamento de propinas para a liberação de licenças ambientais e exploração de minério de ferro em áreas restritas ou de preservação. O esquema contava com a participação de dirigentes da Fundação Estadual do Meio Ambiente e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico.

Nos próximos dias, publicaremos aqui, no Opinião em Pauta, matérias sobre as gestões Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Cláudio Castro (RJ).  (Foto: Reprodução)

Por Henrique Acker (jornalista e colunista)

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