Caneta brasileira contra diabetes avança e desafia Ozempic

O setor brasileiro de fármacos contendo semaglutida, empregados no combate ao diabetes tipo 2 e à obesidade, está passando por uma mudança acelerada.

Cerca de três meses após a expiração da patente da molécula no Brasil, a Hypera Pharma iniciou sua entrada no mercado ao submeter à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) o protocolo da Semavy, sua nova caneta injetável. O item ainda está à espera de registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O progresso se poucos dias após a EMS começar a distribuição do Ozivy, o primeiro concorrente nacional da semaglutida original, que é oferecida pela Novo Nordisk sob as marcas Ozempic e Wegovy.

A entrada de novos fabricantes está gerando efeitos no mercado. Recentemente, a Novo Nordisk divulgou uma redução de até 59% no preço de suas canetas, com o objetivo de facilitar a inclusão do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Paralelamente, estados como Rio de Janeiro, Goiás e o Distrito Federal estão analisando iniciativas próprias para aumentar o acesso ao tratamento.

Segundo o médico Gustavo Sá, que é especialista em emagrecimento, o crescimento da concorrência pode trazer uma alteração significativa na disponibilidade de medicamentos.

A obesidade não se trata apenas de uma preocupação estética, mas é, de fato, uma condição crônica séria. Até o presente momento, o atendimento no SUS se dividia entre orientação nutricional simples e a longa espera para a cirurgia bariátrica, que pode levar anos. As canetas têm a função de fornecer essa alternativa intermediária, afirma.

Embora contenham a mesma substância ativa da semaglutida, os produtos brasileiros não são considerados genéricos. De acordo com o nutrólogo Sandro Ferraz, isso se deve ao fato de seguirem um processo de produção distinto daquele utilizado pela Novo Nordisk.

“A semaglutida desenvolvida pela Novo Nordisk é um peptídeo criado por meio de técnicas biotecnológicas, especificamente através de processos de fermentação e biologia molecular. Por outro lado, empresas brasileiras como a EMS e a Hypera Pharma replicam a mesma molécula ativa, porém utilizando métodos de síntese química.“.

Apesar disso, a competiçãoestá afetando os preços. O Ozempic, por exemplo, varia de R$ 825 a R$ 1.100 nas drogarias, enquanto o Ozivy foi lançado no mercado com preços que vão de R$ 452 a R$ 497, oferecendo também programas de adesão que tornam o tratamento ainda mais acessível para alguns pacientes.

Profissionais enfatizam que o tratamento deve ser supervisionado por um médico, junto a alterações nos hábitos diários e uso constante dos medicamentos para prevenir o chamado efeito rebote, que resulta na recuperação do peso que foi emagrecido quando a medicação é suspensa. (Foto: Reprodução)

Por Opinião em Pauta com informações da CNN

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