O Peru está se dirigindo para uma crise mais intensa de governabilidade e para manifestações, caso a candidata conservadora Keiko Fujimori saia vitoriosa contra o esquerdista Roberto Sánchez na disputa presidencial acirrada, avaliou hoje à AFP o líder nacionalista Antauro Humala.
Com mais de 98% das atas contabilizadas, Fujimori alcança 50,004% dos votos, enquanto Sánchez registra 49,996%, conforme informações disponibilizadas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) em seu site.
O líder, com 62 anos, afirma que uma Assembleia Constituinte “é a única solução possível para reduzir a turbulência social” que antecipa.
“Se Fujimori tomar posse e descartar a chance de criar uma Assembleia Constituinte, tenho a convicção de que a população responderá com manifestações“, afirmou Humala, que é parceiro de Sánchez na corrida eleitoral.
A pequena margem na contagem dos votos entre os dois concorrentes gera incerteza quanto a quem sairá vencedor.
“Seria necessário um entendimento nacional com a Assembleia Constituinte, porém, caso isso não se concretize, haverá uma oposição por parte da população“, enfatizou.
Humala destacou que a garantia de Sánchez de convocar uma Assembleia Constituinte “é a razão pela qual estamos ao seu lado“.
Nos últimos dez anos, o Peru teve a troca de oito presidentes, consequência dos conflitos de poder entre o governo e o parlamento.
Antauro Humala é um ex-oficial do Exército que estabeleceu um movimento de caráter nacionalista. Ele cumpriu uma pena de 17 anos e meio por conduzir uma revolta contra um governo legitimo em 2005, que resultou na morte de seis pessoas.
Na imagem destacada, Os candidatos presidenciais do Peru, Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Peru (à esq.), e Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, durante debate em Lima antes do segundo turno da eleição presidencial, em 7 de junho (Foto: AFP)
Por Opinião em Pauta com informações da AFP



