Tela Brasil: novo streaming público tem mais de 550 títulos

Neste sábado (30), o governo anunciou de maneira oficial a criação da plataforma Tela Brasil, um serviço de streaming público e gratuito dedicado ao audiovisual nacional.

A proposta visa tornar o acesso à cultura brasileira mais acessível à população, por meio da expansão da divulgação das obras produzidas no país.

O sistema gerido pelo Ministério da Cultura, em colaboração com a Universidade Federal de Alagoas, oferecerá filmes brasileiros sob demanda, com acesso integrado ao portal Gov.br.

Durante a inauguração do serviço de streaming na Cidade das Artes, localizada na zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que essa plataforma representa um recurso de autonomia cultural, permitindo que os brasileiros se conheçam melhor.

“A Tela Brasil irá ajudar a aprofundar a entendimento sobre um país chamado Brasil. Por que agimos dessa maneira? O que nos leva a fazer as coisas assim?

O presidente expressou descontentamento em relação à quantidade de produções estrangeiras exibidas nas emissoras nacionais, as quais ele julga serem de qualidade inferior.

A quantidade de produtos enlatados de baixa qualidade que somos forçados a ver todas as noites, devido à falta de outras opções. Isso impede que a juventude do Brasil tenha acesso integral à riqueza da cultura nacional“, reclamou Lula.

O presidente destacou a falta de reconhecimento em relação à importância econômica e ao número de empregos que o setor cultural brasileiro oferece, ressaltando seu papel no crescimento econômico e na formação profissional.

“É fundamental que conheçamos nosso país em profundidade, entendendo nossa cultura e os motivos que nos levaram à situação atual”, afirmou Lula.

Ao final, o presidente relacionou essa iniciativa a outras políticas de sua administração, mencionando o MEC Livros, que foi lançado recentemente e possui um catálogo com mais de 25 mil títulos. Ele enfatizou que o acesso à cultura agora integra a política habitacional do governo. “Cada conjunto habitacional que formos entregar em todo o país terá uma biblioteca, garantindo que as pessoas tenham acesso à cultura.”

A iniciativa recebeu um aporte financeiro de R$ 9 milhões durante o período de 2024 a 2025. De acordo com informações do governo, esse montante possibilitou a obtenção de um catálogo variado, o avanço de tecnologias próprias e a implementação de ferramentas adequadas de acessibilidade.

Acesso aos direitos do povo

Durante o evento de lançamento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a razão para a criação da plataforma foi proporcionar ao povo brasileiro o acesso aos seus direitos culturais.

“No que diz respeito ao setor audiovisual, enfrentamos um obstáculo significativo na distribuição. Como garantir que as pessoas tenham acesso a toda a produção, especialmente às obras que são relevantes e que representam a nossa nação?

Ela ressaltou que o audiovisual incorpora diversas formas de arte, como a música e o desenho. “Todos atuam e possuem essa representatividade. A diversidade que criamos está presente em nossas produções, mas a população não tinha acesso a isso.”

Alinhada com as declarações do presidente Lula, a ministra comemorou a soberania, a diversidade cultural e a importância de recuperar o papel de destaque das personalidades históricas do Brasil.

A comunidade que se reconhece, que se observa, se torna mais forte, pois nossas narrativas são belas. Incluímos os povos nativos, os descendentes africanos, os europeus, e todos aqueles que ajudaram a moldar esta nação, além das histórias que permaneceram ocultas.”

Plataforma com extenso acervo

O acervo inicial reúne materiais financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e obras preservadas por entidades do Sistema MinC, incluindo a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares.

A ênfase recai sobre a variedade, incluindo o cinema afrodescendente, produções indígenas, filmes realizados por mulheres e questões prementes como a justiça ambiental e a sustentabilidade.

A Tela Brasil apresenta um repertório que abrange desde obras clássicas de 1910 até produções atuais de 2025.

A plataforma conta com um total de 555 produções audiovisuais nacionais, que estão organizadas em:

 

  • 267 filmes de curta duração;
  • 139 filmes de longa duração;
  • 85 filmes de média duração ou produções para TV;
  • Sessenta e quatro peças em série.

 

Dentre elas estão: A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, dirigido por Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; e Cidade de Deus, sob a direção de Fernando Meirelles.

Entre as obras notáveis, estão “Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), dirigido por Glauber Rocha; Carandiru (2003), de Hector Babenco; e Olga (2004), sob a direção de Jayme Monjardim.

O catálogo inicial conta com 19 obras que já representaram o Brasil na corrida pelo Oscar ao longo dos anos.

Dentre os tipos mencionados pelo Ministério da Cultura, encontram-se produções voltadas para crianças, adolescentes, artes e cultura brasileira.

Dentro do tema da diversidade cultural, foi adicionada a categoria Africanidades, que abrange produções audiovisuais que relatam histórias, lembranças e vivências da comunidade negra no Brasil, conectando o passado ancestral com o presente.

A acessibilidade é um aspecto fundamental do projeto: todas as obras escolhidas por meio do edital público oferecem audiodescrição, legendas descritivas e tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

É crucial mencionar que investigações em andamento relacionadas à acessibilidade. Essas obras incorporam três tipos de recursos acessíveis, acompanhados de diálogos sobre preservação e memória. Existe uma combinação de inovações tecnológicas e aspectos legais voltados para regulamentação. Trata-se de uma política pública fundamentada em pesquisa e dados concretos, afirmou a professora Luciana Peixoto Santa Rita, que esteve envolvida no projeto pela UFAL.

 

Conta ativa no sistema

Para iniciar a navegação, é necessário que o usuário possua uma conta ativa no sistema de autenticação unificada do governo federal, conhecido como Gov.br. A plataforma oferece duas opções de navegação:

Perfil Cidadão: qualquer indivíduo pode acessar de maneira gratuita e individual filmes, séries e documentários, que estão organizados por gênero, formato e categorias, além de ter a opção de montar uma lista de preferidos.

Perfil Focado: desenvolvido especificamente para exibições coletivas e não comerciais em ambientes educacionais, cineclubes, centros culturais, bibliotecas e museus em diversas regiões do país.

Inicialmente, a plataforma opera diretamente no navegador de desktop, com a possibilidade de transmissão para Smart TVs. Os aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) estarão disponíveis em até 30 dias.

Parceiros do projeto

No decorrer do acontecimento, foi firmado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a TV Brasil, veículo de comunicação pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com o objetivo de aumentar a disponibilização e a circulação de conteúdos, além de promover a integração das políticas públicas voltadas para o cinema e audiovisual brasileiros.

A Tela Brasil foi criada utilizando tecnologia nacional, com a colaboração do Ministério da Cultura (MinC) e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Por Opinião em Pauta com informações da AgBR

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