A Polícia Civil de São Paulo solicitou à Justiça a liberação de informações financeiras confidenciais de Karina Ferreira da Gama, que é a responsável pela produtora do longa-metragem “Dark Horse”, que retrata a vida política de Jair Bolsonaro. A solicitação envolve também o Instituto Conhecer Brasil, que é liderado por Karina. As informações vêm da Folha de S. Paulo.
O pedido integra uma apuração acerca de indícios de aumento indevido de preços e desvio de verbas públicas em um contrato de R$ 108 milhões estabelecido entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo, destinado à oferta de internet wi-fi na cidade.
O delegado Antonio Carlos Manuera Silveira solicitou ao Judiciário os relatórios de inteligência financeira elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A meta é detectar possíveis “transações irregulares e notificações de operações suspeitas” ligadas ao CPF de Karina e ao CNPJ do Instituto Conhecer Brasil.
O requerimento também solicita que seja estabelecido sigilo em relação a esta etapa da investigação. O objetivo da apuração é identificar o destino dos recursos públicos destinados ao instituto no contexto do programa WiFi Livre SP, sob a administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Segundo o documento enviado ao Judiciário, os investigadores acreditam que verbas públicas do programa WiFi Livre SP podem ter sido mal direcionadas para financiar a produção de “Dark Horse”.
De olho nos dados financeiros
No relatório, a Polícia Civil destaca “fortes indícios de mistura de bens” entre o Instituto Conhecer Brasil e a empresa de produção cinematográfica encarregada do filme sobre Bolsonaro.
“O delegado destacou, em sua solicitação ao Tribunal de Justiça de São Paulo, que existem indícios sólidos de uma possível mistura de bens entre o instituto e a produtora, além da possibilidade de que verbas públicas do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido redirecionadas para financiar as atividades de produção do filme em questão.“.
Contrato milionário com SP
A investigação diz respeito a um contrato de R$ 108 milhões estabelecido entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo, visando à oferta de serviços de internet wi-fi em diferentes locais da cidade.
De acordo com os investigadores, as empresas terceirizadas e as entidades sociais sob a gestão de Karina teriam sido utilizadas para gerenciar parte dos fundos. A Polícia Civil também destaca a existência de “evidências substanciais” que apontam para anomalias na implementação do contrato.
Um outro aspecto mencionado na solicitação é a alegada inadequação técnica do Instituto Conhecer Brasil para realizar o serviço que foi contratado pela administração municipal. O delegado ressalta que o valor estipulado pelo instituto, de R$ 1.800 por ponto de conexão, estaria superior ao que é comumente cobrado no mercado. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações da CBN



