Henrique Acker – Cerca de 36,6 milhões de trabalhadores poderão ser beneficiados com a redução da carga horária de 44 para 40 horas semanais e o fim da escala de trabalho de 6 dias por um de descanso.
A estimativa é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e toma como base dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), segundo os quais 15 milhões de trabalhadores ou 33,2% dos vínculos formais contratados em regime de 44 horas semanais no Brasil estão sob a escala 6×1.

Em torno de 75% dos vínculos trabalhistas pela CLT registravam mais de 40 horas semanais de trabalho e 71% cumpriam jornadas entre 41 e 44 horas por semana até o final de 2024. Ao todo, eram 36,6 milhões de vínculos celetistas com jornadas semanais superiores a 40 horas.
As informações constam do Boletim de Maio de 2026 do DIEESE e foram extraídas da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2024, do MTE e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE.
Sem tempo para estudar
De acordo com o estudo do DIEESE, a redução da carga de trabalho poderá ter efeitos também sobre a formação escolar de 425 mil jovens de 18 a 29 anos que estão no mercado de trabalho.
O cruzamento de dados sobre escolaridade e horas semanais de trabalho demonstra que os jovens que cumprem jornada acima de 40 horas semanais (incluindo os que fazem 6×1) têm menor grau de instrução.

A proposta em análise pelo Congresso Nacional prevê um prazo de 60 dias para a redução da jornada para 42 horas a partir da promulgação da lei, e mais doze meses para que a carga horária de trabalho seja finalmente reduzida para 40 horas semanais, sem a redução dos salários. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do estudo “Redução da jornada pode favorecer condições para jovens conciliarem trabalho e estudo” (Boletim do DIEESE/Maio de 2026).



