Moradores de favelas reprovam operações policiais no Rio

Henrique Acker – Pesquisa realizada em quatro das maiores favelas do Rio de Janeiro, revela que a maioria dos moradores reprova as chamadas “operações policiais” nas comunidades. O levantamento foi realizado com 4.080 pessoas, entre os dias 13 e 31 de janeiro de 2026, das quais 73% disseram rejeitar a forma como a polícia atua nas favelas. As comunidades pesquisadas representam 21% do total da população das favelas do Rio.

De acordo com o levantamento “Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado?”, 91% dos que são contrários às operações policiais afirmaram que há excessos e ilegalidades por parte da polícia, resposta compartilhada até mesmo por 85% daqueles que apoiam as operações.

 

As organizações responsáveis pela pesquisa – Redes da Maré (Maré), Fala Roça, Rocinha Resiste (Rocinha), Frente Penha (Complexo da Penha), Instituto Papo Reto e Instituto Raízes em Movimento (Complexo do Alemão) – apontam que as operações “interrompem rotinas, restringem a circulação, violam domicílios e produzem medo de forma permanente”.

Nas considerações finais do trabalho, os organizadores alertam que “as operações policiais nas favelas pioram a situação ou simplesmente não alteram o cotidiano de quem vive nesses territórios”. Uma das conclusões é que “a capacidade de gerar proteção concreta para as famílias (a partir dessas operações) não encontra respaldo entre os próprios moradores”.

 

Segundo os realizadores da pesquisa, mesmo os que apoiam as operações policiais nas favelas reconhecem que a polícia comete excessos e ilegalidades. A conclusão é que “mais do que a forma como as operações são conduzidas, é necessário mudar o paradigma que define a relação das forças de segurança com esses territórios”.

As seis organizações comunitárias foram responsáveis por definir o desenho, os instrumentos de coleta, a mobilização dos participantes, a realização do trabalho de campo, a sistematização e a publicação do material. O trabalho de campo foi realizado por moradores dos próprios territórios investigados, indo às ruas e residências para fazer entrevistas e coletar as respostas.

 

 

“Ao dar voz a quem é diretamente impactado, acessamos dimensões fundamentais da vida cotidiana do morador de favela em dias de operação policial”, conclui a diretora da Redes da Maré, Eliana Sousa Silva, que coordenou o estudo.

“Queremos que haja uma nova política de segurança pública que preserve a vida dos moradores de favelas sem que a presença de grupos armados seja a justificativa para lançar mão de uma única possibilidade de atuação da polícia, com confrontos com alto índice de risco e letalidade para a população”, reforçou Osvaldo Lopes, do Fala Roça.

 

 

A pesquisa contou com o apoio da Cátedra Patrícia Acioli (UFRJ), do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni-UFF) e da Open Society Foundations.

 

   

 

Sente “indignação ou revolta” com a atuação dos traficantes de drogas no território?

 

Por Henrique Acker, com informações da pesquisa “Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado?”, Alma Preta, Agência Brasil e UOL Notícias.

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