Acordo: Irã abre mão de urânio por alívio em sanções dos EUA

O esboço do tratado de paz em discussões avançadas entre os Estados Unidos e o Irã inclui a disposição de que a nação do Oriente Médio não procure desenvolver armas nucleares, conforme informou a agência de notícias Associated Press.

Parte do inventário pode ser diluída, enquanto a outra parte pode ser encaminhada a uma nação distinta. A mesma entidade declarou que essa movimentação poderia ser destinada a um país como a Rússia, porém isso ainda está sendo debatido.

A Agência Internacional de Energia Atômica informou que o Irã possui 440,9 kg de urânio enriquecido a 60%. Esse grau de enriquecimento está apenas a um avanço técnico do nível de 90%, que é considerado adequado para a fabricação de armas.

A proposta em debate sugere que o Irã transfira o urânio enriquecido que possui atualmente. Um representante regional que está a par das discussões afirmou que a destinação desse material será decidida em futuras negociações que ocorrerão num período de 60 dias, conforme relatado pela agência.

 

Venda de petróleo

Os Estados Unidos poderiam também autorizar o Irã a retomar a venda de petróleo com isenções às sanções. Um outro representante, que teve acesso às negociações, mencionou que a flexibilização das sanções e a liberação de fundos iranianos bloqueados seriam tratados dentro do mesmo período de 60 dias.

Fontes que preferiram permanecer anônimas relataram que o esboço abrange também a resolução do conflito entre Israel e Hezbollah. Além disso, o documento estabelece um acordo de não intervenção em questões internas das nações da área.

Na jornada de ontem, Estados Unidos e Irã indicaram que conseguiram progressos nas conversas visando um cessar-fogo duradouro. Trump comunicou a um canal de TV dos EUA que está “muito próximo” de um entendimento, enquanto o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, declarou que as nações estão naetapa final de um acordo preliminar” para discutir o término do conflito.

As autoridades de Israel indicam que o Hezbollah permanece uma ameaça significativa e que o Líbano não possui meios para desarmar a organização. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu informou a Donald Trump que Israel “preserva a liberdade de agir contra ameaças em todas as direções, abrangendo também o Líbano”, conforme relatado por uma fonte que conhece a conversa.

A mesma fonte afirmou que Trump torna a conclusão de um acordo dependente da eliminação total do programa nuclear do Irã. De acordo com a informação, o presidente americano também exige a remoção de todo o urânio enriquecido do país persa.

A Ministra de Ciência e Tecnologia de Israel, Gila Gamliel, declarou que a nação mantém uma abordagem prudente. Em uma conversa com a rádio do Exército israelense, ela ressaltou que Israel está seguindo uma tática de “esperar para observar“.

 

Acordo de cessar-fogo instável e desafios

Os Estados Unidos e o Irã estabeleceram um cessar-fogo de duas semanas no dia 8 de abril, que os EUA decidiram prolongar unilateralmente ao final do período. Desde então, Israel, que iniciou os ataques ao Líbano no começo do conflito, também concordou em uma trégua com o país, a qual foi prorrogada por 45 dias em maio.

As representantes das duas nações se reuniram fisicamente apenas uma vez, no dia 11 de abril, para dialogar sobre um acordo de paz definitivo. Naquela oportunidade, após mais de 20 horas de discussões, os negociadores partiram da cidade de Islamabad sem chegar a um entendimento.

Desde aquele momento, as negociações entre as duas partes contam com a intermediação do Paquistão. Além da questão de Hormuz, as discussões acerca do enriquecimento de urânio parecem representar o principal obstáculo nas relações entre os Estados Unidos e o Irã.

Na imagem destacada, jornais iranianos dando destaque aos encontros de autoridades por negociações de paz. (Foto: Atta Kenare/ AFP)

Por Opinião em Pauta com informações da Reuters

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