Henrique Acker – Os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz, em razão dos ataques dos EUA e Israel ao Irã, já começam a ser sentidos na Europa. Grande parte dos combustíveis que movimentam a economia europeia deixou de ser entregue nas últimas semanas.
Um dos setores mais atingidos é o do transporte aéreo, com as companhias reduzindo rotas e suspendendo voos, por conta da alta do preço do querosene de aviação.
De acordo com os dados da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), o preço médio semanal do combustível para aviação na Europa chegou a 188 dólares (159,97 euros) por barril, um aumento de 106,5% em relação à média de 2025.
Na semana passada, Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia, afirmou que a Europa ainda tinha suprimentos de combustível de aviação para cerca de seis semanas. O verão europeu, época de maior movimento nos aeroportos, inicia na última semana de junho e vai até o final de setembro.
A Lufthansa, maior companhia aérea alemã que engloba outras subsidiárias do setor, anunciou em 21 de abril o cancelamento de 20 mil voos. Suas 27 aeronaves mais antigas ficarão em terra e as rotas regionais menos rentáveis e parte das viagens do final do verão europeu foram suspensas. O objetivo é economizar combustível.
A holandesa KLM Outra também anunciou cortes, comunicando o cancelamento de 80 vôos de ida e volta a Amsterdã, também com o propósito de economizar combustível.
A companhia aérea escandinava SAS, que opera linhas para todos os continentes, já havia anunciado, em março, que pelo menos 1000 voos seriam suprimidos em abril.
A Aer Lingus, mais antiga companhia aérea da Irlanda, suspendeu 500 voos durante o verão europeu. A companhia opera em rotas para o Reino Unido, Europa, América do Norte e o Caribe.
Por sua vez, a Ryanair, companhia irlandesa de voos de baixo custo muito popular na Europa, reconheceu que seus fornecedores só podem garantir combustível até meados de maio.
Uma pesquisa efetuada pela Teneo – empresa de consultoria global – revelou aumentos acentuados das tarifas aéreas nas últimas semanas, com os bilhetes da classe econômica custando 24% mais do que no ano passado, maior aumento médio dos últimos cinco anos.
Do outro lado do Atlântico, os passageiros já estão sentindo nos bolsos os efeitos da crise de combustíveis. As empresas aéreas estadunidenses passaram a cobrar mais caro também pelas bagagens registradas. São os casos da United Airlines, da JetBlue e da Delta. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de Euronews, Terra (Estadão) e New York Times.



