A Petrobras optou por reembolsar o montante adicional obtido no leilão de gás de cozinha que ocorreu há duas semanas, após receber críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em razão dos altos ágio em relação ao preço habitual do item.
Em comunicado emitido nesta quinta-feira (9), a empresa pública anunciou que, inicialmente, irá restituir a diferença entre o valor pago pelas distribuidoras de gás de cozinha e a paridade de importação determinada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) durante a semana de 23 a 27 de março.
A empresa não detalha o processo de devolução. Os consumidores desse produto são as distribuidoras de gás de cozinha, que são encarregadas de envasar o produto em botijões e comercializá-los em diversos pontos de venda por todo o território nacional.
Tampouco está evidente de que maneira a decisão trará vantagens ao consumidor final, uma vez que o adicional dos leilões já foi transferido pelas distribuidoras e revendedores para o valor final do produto.
A escolha, conforme a companhia, é “baseada em estudos econômicos e de risco, levando em consideração a singularidade do atual cenário de mercado, resultante do conflito no Oriente Médio”. A empresa também destaca a preocupação com os possíveis riscos de penalidades impostas pela ANP e pela Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor).
Lula já havia informado que a Petrobras interromperia o leilão, e a liderança da estatal avaliava maneiras de atender à ordem do presidente. A administração de Magda Chambriard argumentou para o governo que a proposta foi realizada sem o consentimento da alta direção da empresa. Durante o leilão, a Petrobras disponibilizou um volume correspondente a 11% do consumo do combustível no mês de abril. O prêmio sobre o preço habitual alcançou 117%, elevando o valor do produto a mais do que o dobro.
A estatal vem realizando a venda de uma fração do produto em leilões como parte de sua estratégia para transferir, pelo menos em parte, as oscilações dos preços internacionais, ao mesmo tempo em que mantém o valor de refinaria do produto inalterado desde julho de 2023.
Nos leilões, a empresa pública disponibiliza quantidades que se aproximam das demandas de importação do país, completando assim os volumes já negociados em contratos de longo prazo com as distribuidoras. As licitações ocorrem mensalmente, com a entrega programada para o mês subsequente.
Depois das declarações públicas de Lula, que qualificou o leilão realizado na semana anterior como uma prática criminosa, o conselho administrativo da estatal optou por dispensar Claudio Schlosser, o diretor de Logística, Comercialização e Mercados, que estava à frente da gerência que coordenou a oferta.
Na quarta-feira, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sustentou a necessidade da demissão, afirmando que a Petrobras reagiu à revolta de Lula com o reajuste nos preços dos combustíveis. A distribuição de botijões de gás para famílias de baixa renda é uma das principais promessas do governo. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações da FolhaPress



