Michel Temer recebeu R$ 10 milhões do Banco Master

Documentos da Receita Federal, acessados pelo jornal O Globo, mostram que o ex-presidente Michel Temer está vinculado a uma ampla rede de transações financeiras do Banco Master envolvendo personalidades importantes da política e do direito no Brasil. Consoante às informações fornecidas pela instituição financeira à Receita, o escritório de advocacia de Temer recebeu quantias expressivas em 2025 por serviços de intermediação relacionados à tentativa malsucedida de vender o banco ao BRB, que é gerido pelo governo do Distrito Federal.

Conforme a matéria, o Banco Master, sob a direção de Daniel Vorcaro, atualmente detido por suspeitas de envolvimento em fraudes, reportou um total mínimo de R$ 59,03 milhões em repasses a políticos, líderes partidários e ex-ministros entre os anos de 2022 e 2025. Em relação a Temer, a informação submetida à Receita Federal aponta um valor de R$ 10 milhões. No entanto, o ex-presidente contestou esse montante em uma declaração, esclarecendo: “O valor que recebi não é de 10 milhões, mas sim de R$ 5 milhões mais 2,5 milhões”, e acrescentou que o escritório foi “contratado para serviços jurídicos de mediação”.

Durante uma conversa no programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura em novembro do ano passado, Temer compartilhou como surgiu sua contratação. Ele relatou que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB — partido ao qual também pertence o ex-presidente —, junto com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, organizou uma reunião em Brasília. “Fui a Brasília, onde aconteceu essa reunião, e o Daniel Vorcaro estava presente. O governador Ibaneis me informou: ‘Gostaríamos que você atuasse como mediador, pois ainda temos interesse em prosseguir com essa negociação, embora de forma mais limitada devido ao que está ocorrendo‘. Assim foi como aceitei o papel de mediador. É isso que estou realizando.”

No momento da contratação, o Banco Central já havia negado a operação entre o Master e o BRB, porém Vorcaro continuava procurando opções para a instituição financeira.

Entre os outros nomes mencionados nos documentos, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, se destaca como o maior beneficiário individual: sua consultoria recebeu R$ 14 milhões durante o período — sendo R$ 6 milhões em 2024 e R$ 8 milhões em 2025. Enquanto prestava serviços ao banco, Mantega promoveu uma aproximação entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até mesmo levando o banqueiro a uma reunião no Palácio do Planalto no final de 2024. Na quarta-feira (8), o presidente Lula declarou ter informado ao banqueiro naquela ocasião que quaisquer irregularidades no Master seriam investigadas.

O escritório de Ricardo Lewandowski, que foi ministro do STF e ocupou a pasta da Justiça durante o governo Lula, também está mencionado nos relatórios. De 2023 a 2025, o montante registrado soma R$ 5,93 milhões. Em um comunicado, Lewandowski informou que retornou à prática da advocacia em abril de 2023, após deixar a Corte, e que “além de outros clientes, prestava consultoria jurídica ao Banco Master”. Ele ainda mencionou que, ao assumir o cargo de Ministro da Justiça em janeiro de 2024, interrompeu seu registro como advogado e se desvinculou do escritório “como exige a legislação vigente”. O contrato foi transferido para seu filho, Enrique Lewandowski, que então passou a oferecer consultoria em questões fiscais e tributárias.

Henrique Meirelles, que foi presidente do Banco Central durante o governo Lula e atuou como ministro da Fazenda na administração de Temer, obteve R$ 8,6 milhões em 2025. Em comunicado, Meirelles afirmou que estabeleceu um “contrato para serviços de consultoria em macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, de forma consultiva, entre março de 2024 e julho de 2025″. (Foto: Reuters)

Por Opinião em Pauta com informações de O Globo

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