Rodrigo Vargas – Confesso: esse tema da Misoginia me pegou de frente. Ainda mais depois da aprovação do PL 896/2023 no Senado, que equipara ódio ou aversão as mulheres ao crime de racismo e toda a sua repercussão. Preciso reconhecer que me fez refletir e muito nos últimos dias.
Não por ser algo novo, mas por ter se tornado onipresente. Está em todo lugar. E, inevitavelmente, acabou me trazendo alguns questionamentos que me incomodaram muito.
Depois de 24 anos de casamento e com uma filha de 19, me vi pensando: será que em algum momento, mesmo sem perceber, eu fui misógino?
Não de forma explícita. Mas nos detalhes. Nos hábitos. No jeito de falar, de decidir, de conduzir. Porque a misoginia raramente se apresenta com crachá. Ela aparece disfarçada de costume.
Na interrupção de uma fala. Na opinião que se escuta menos. Na decisão tomada “para ajudar”, mas sem perguntar.
E confesso que admitir isso não é confortável. Mas ignorar talvez seja pior.
Mas, e costumo dizer que tudo na vida tem um “mas”, um outro questionamento também tomou conta: Será que tudo não passou a ser rapidamente rotulado?
Pois da forma que nos foi apresentado o tema nos últimos dias uma discordância vira ataque. Uma crítica vira opressão. Uma opinião contrária vira condenação.
E a dúvida cresce mais ainda:
Estamos enxergando mais… ou apenas rotulando mais rápido?
Porque há um risco enorme nessa rotulação exagerada de situações cotidianas.
Quando tudo vira misoginia, a misoginia real perde força. E, junto com ela, perde-se também o espaço da conversa e debate. E sem conversa, não há ajuste. Sem ajuste, não há evolução, principalmente para nós homens.
Talvez o verdadeiro desafio esteja no meio do caminho. Nem ignorar o problema. Nem transformar tudo em sentença. Mas ter coragem de olhar para dentro, sem pressa de se absolver… e sem a necessidade de condenar tudo ao redor.
Porque, no fim, a pergunta que realmente importa não é:
“Isso é misoginia?”
Mas sim:
“O que disso tudo ainda me cabe aprender?”


