Rodrigo Vargas – “Mãe, palavra pequena e linda, mas não esqueci ainda quando em seu colo dormia.” Não lembro do restante do poema. O tempo, às vezes, leva algumas palavras, mas curiosamente preserva aquilo que realmente importa: os sentimentos.
Conto com um orgulho sem medidas que a autora deste poema foi MINHA MÃE. Ela escreveu esses versos muitos anos atrás. Sem formação superior, sem cursos de literatura, sem imaginar que um dia aquelas poucas linhas atravessariam décadas e continuariam fazendo tanto sentido.
Talvez porque tenham sido escritas da forma mais bonita possível: com verdade e amor.
Minha mãe pertence àquela geração de mulheres que quase nunca falava do próprio cansaço, e até hoje se preocupam apenas com a casa e a família. Mulheres que acordavam cedo, cuidavam da casa, dos filhos, do marido, organizavam a vida da família inteira e ainda encontravam forças para sorrir.
E quando resolveu trabalhar fora, numa época em que mulher casada e mãe ainda era pressionada a permanecer apenas dentro de casa, assumiu outra jornada. Ou talvez várias delas. Porque mãe nunca deixa o trabalho para o dia seguinte.
Hoje, olhando para trás, percebo o quanto nós, filhos, enxergávamos tudo aquilo como algo natural. Como se comida pronta, roupa limpa, remédio separado, preocupação constante e colo disponível simplesmente surgissem sozinhos dentro de casa.
Mas não surgiam. Aquilo tinha nome: amor.
Talvez por isso eu também tenha aprendido a admirar profundamente minha sogra. Outra mulher forte, daquelas que passaram a vida divididas entre a profissão e a família. Professora. Daquelas que passavam o dia ajudando a educar os filhos dos outros e voltavam para casa para continuar educando os seus próprios filhos.
Hoje entendo que algumas mulheres daquela geração foram verdadeiras heroínas silenciosas. Não tinham discursos prontos sobre força feminina, independência ou protagonismo. Elas simplesmente eram fortes. E seguiram sendo mesmo cansadas.
E talvez o maior legado dessas mulheres esteja justamente naquilo que deixaram nos filhos.
Porque olhando para minha esposa, vejo muito das duas mães nela. Vejo o cuidado, a preocupação, a dedicação silenciosa e aquela capacidade quase inexplicável de proteger a família mesmo quando ninguém percebe o esforço que existe por trás disso.
Ela se tornou uma mãe maravilhosa. Dessas que acompanham, orientam, acolhem, corrigem e amam sem medida. E tenho certeza de que muito disso nasceu do exemplo que recebeu dentro de casa, tanto da própria mãe quanto da sogra que a vida lhe deu.
No fim das contas, talvez seja assim que o amor das mães continue atravessando gerações.
Ele aparece nos gestos. Nas preocupações. Nas ligações perguntando se chegamos bem. Na comida preferida feita sem motivo. Na preocupação com os filhos já adultos. E depois, com os netos. Porque mães envelhecem. O tempo passa. Os filhos crescem. Mas o amor delas nunca aprende a descansar.
E talvez seja por isso que aquele verso ainda faça tanto sentido depois de tantos anos:
“Mãe, palavra pequena e linda…”
Pequena apenas no tamanho.
Porque na vida de qualquer filho, mãe sempre será uma das maiores palavras que existem. (Foto: Reprodução)



