COP15 amplia proteção a bagres e ariranhas da Amazônia

A aprovação do Plano de Ação para os Grandes Bagres Migratórios da Amazônia e a incorporação da ariranha à Convenção sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) ocorreram durante a plenária da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande. Essas resoluções favorecem a colaboração internacional na proteção dessas espécies.

O Brasil liderou uma ação voltada para a proteção dos ambientes naturais dos bagres, incluindo a dourada e a piramutaba, além de promover a interconexão dos rios na região amazônica. Países como Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela contribuíram para essa iniciativa por meio da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Conforme Mariana Frias, analista de conservação da WWF-Brasil, a iniciativa proporciona proteção à diversidade de espécies aquáticas e à segurança alimentar das populações, além de preservar a interligação dos rios na Amazônia.

Os grandes bagres, assim como os golfinhos de água doce, são indicativos de saúde ambiental que necessitam de rios com livre circulação para percorrer longas distâncias e completar seu ciclo de vida“, esclarece.

O plano inclui ações voltadas para garantir a preservação das espécies, através de estudos, compartilhamento de saberes e coordenação de políticas nacionais entre as nações, além de estabelecer a supervisão das rotas migratórias, incentivar práticas produtivas sustentáveis na pesca e promover a inclusão de comunidades locais e indígenas.

Mariana ressalta que a escolha sugere a urgência em focar na proteção dos ecossistemas de água doce nos países. “Os rios e sua vasta diversidade biológica enfrentam riscos por duas razões principais: a carência de informações, conhecida como lacuna de conhecimento, e as atividades humanas de grande impacto, como a construção de barragens hidrelétricas”, afirma.

Tratados globais

Com a programação se estendendo até este domingo (29), a COP15 se aproxima de seu encerramento, com os últimos dias dedicados a negociações para novos tratados globais. Um consenso foi alcançado para incluir várias espécies migratórias nos anexos I e II da CMS, que contêm as listas das espécies em risco de extinção que requerem acordos internacionais.

Dentre as espécies que serão resguardadas pelas ações da CMS, encontra-se a ariranha, a maior lontra do planeta, que vive em áreas inundadas devido ao seu caráter de mamífero semiaquático.

Esses animais são encontrados exclusivamente na América do Sul, com foco no Brasil, onde habitam principalmente o Pantanal e a Amazônia. A exploração ilegal para suprir o mercado de peles destinadas a roupas e adornos resultou na extinção da espécie em alguns países, incluindo a Argentina.

Com a deliberação na COP15, a ariranha será incluída na relação de espécies em risco de extinção da CMS. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, se manifestou sobre essa decisão nas redes sociais.

“Estou extremamente satisfeito com essa realização. O alerta expande a proteção global e enfatiza a necessidade de atuarmos, em conjunto e de imediato, para assegurar a preservação da ariranha, que desempenha um papel vital no equilíbrio dos nossos rios,” ressalta. (Foto: FishTV)

Por Opinião em Pauta com agências de notícias

Relacionados

plugins premium WordPress