A funcionária doméstica Leidinalva Silva enfrentou o bloqueio de sua conta bancária por determinação judicial há 20 meses, em julho de 2024. Essa ação decorre de uma dívida assumida com a família de Willian Borges, atleta do Grêmio que já atuou pelo Corinthians e pela seleção brasileira, e sua parceira, Vanessa Rodrigues Martins Silva.
Willian é um renomado atleta do futebol, que teve uma trajetória em importantes times europeus e atuou na Copa do Mundo.
O jogador recebe remuneração correspondente ao alto nível do futebol brasileiro, enquanto a vida do casal é compartilhada por Vanessa Rodrigues em suas mídias sociais. Em 2024, por exemplo, quando Leidinalva percebeu que sua conta estava impedida, o casal aproveitava o esqui nos Alpes franceses. A disputa legal envolvendo Leidinalva foi iniciada por Vanessa.
De acordo com as informações de seu advogado, Vanessa vive em Londres e é representada no processo por seu tio, José Gonçalves Rodrigues.
Nesse momento, Willian joga pelo Grêmio de Porto Alegre (RS), e a mídia da região calcula que sua remuneração mensal gire em torno de R$ 1,3 milhão. Leidinalva reside na residência que ergueu no Jardim Ângela, localizado na zona sul de São Paulo (SP). Como esse é o único patrimônio da família, ele não está sujeito a penhoras judiciais.
Em julho de 2024, a equipe jurídica de Vanessa solicitou a retenção de 20% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) da responsável pela dívida. Entretanto, esse pedido foi negado pela Justiça.
A obrigação financeira assumida por Leidinalva, que inicialmente era de R$ 4 mil, agora soma R$ 9.675,51 devido aos juros acumulados. Com a decisão final, a defesa da diarista não possui possibilidade de apelação e a parte ré não tem alternativa, necessitando saldar a dívida. No entanto, ela enfrenta dificuldades financeiras.
No dia 26 de janeiro de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) emitiu a ordem de cumprimento da sentença, fase conclusiva de um processo que começou em 2022. A parte acusada só tomou conhecimento do caso em 2024, ao verificar sua conta bancária para quitar faturas de água, energia e outras obrigações financeiras.
“Quando acessei o aplicativo, minha conta estava bloqueada. Entrei em pânico, comecei a suar e a me coçar toda”, recorda. Leidinalva buscou auxílio na Defensoria Pública de São Paulo, onde recebeu assistência da advogada Tainá Chaves, que preparou uma sugestão de parcelamento da dívida inicial, que foi recusada pela credora. Conforme a diarista, Vanessa requer o pagamento integral.
Desde que tomou conhecimento de sua dívida, que gira em torno de R$ 10 mil, ela tem tido problemas para conseguir dormir. Ademais, a diarista sente insegurança em aceitar ofertas de empregos com salário fixo, pois não tem uma forma de receber os pagamentos. “Apresentaram diversas oportunidades para eu trabalhar mensalmente, mas eu recusei. Como posso explicar que não consigo depositar naquela conta? A pessoa não vai aceitar”, comenta.
Pretendia morar em casa própria
Leidinalva sempre atuou em lares, exercendo funções como babá, empregada de limpeza ou diarista. Em 2016, Vanessa a contratou formalmente como funcionária doméstica, registrando-a na carteira de trabalho, com um salário mensal de R$ 2 mil.
Ela cuidava da limpeza da casa da família – um lar de cinco quartos, com três destinados a hóspedes – situado na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, onde o valor do aluguel de uma casa com três quartos não fica abaixo de R$ 10 mil.
O acordo determinava a realização de serviços das 8 às 17 horas, de segunda a sexta-feira, durante os períodos em que a família se encontrava fora do país.
Quando os empregadores chegavam ao Brasil, a carga horária de trabalho se estendia. “Nós trabalhávamos de domingo a domingo”, recorda. Mesmo assim, ela afirma que não tinha motivos para se queixar. “Eu era bem tratada”, afirmou, acrescentando que recebia pagamento adicional por horas extras trabalhadas.
A confiança entre elas era tão forte que, no segundo semestre de 2018, Leidinalva optou por solicitar um empréstimo de R$ 10 mil à sua chefe, a fim de dar entrada na compra de um imóvel. “Meu sonho sempre foi ter uma casa, pois pagar aluguel era uma situação insuportável”, relembra.
Vanessa aceitou e as duas firmaram um pacto. A cada mês, a empregadora retiraria do pagamento de Leidinalva a quantia de R$ 500.
Em janeiro de 2019, quatro meses após ter feito o empréstimo – e, consequentemente, com quatro pagamentos realizados – Vanessa resolveu dispensar todos os seus colaboradores, incluindo Leidinalva, que recebeu uma parte dos direitos previstos em lei devido à rescisão do contrato. “Eu tinha férias, 13º salário, tinha tudo. Ela pagou tudo certinho”, relata.
Entretanto, uma outra quantia, cerca de R$ 4 mil, foi retida pela empregadora como uma parcela do pagamento da dívida. De acordo com os cálculos da diarista, ainda restavam R$ 4 mil a serem entregues para Vanessa.
Aproximadamente três meses após ser demitida, Leidinalva recebeu uma chamada referente à primeira cobrança do saldo devedor. Naquela época, ainda sem emprego, ela não conseguia efetuar o pagamento. Quando iniciou trabalhos como faxineira e tentou entrar em contato com Vanessa para discutir a quitação da dívida, não conseguiu se comunicar com a ex-chefe. “Fui bloqueada em todas as redes sociais”, afirma.
Ela foi a um endereço antigo no bairro do Grajaú para perguntar aos moradores se tinham recebido alguma correspondência para ela.
“No local onde eu residia, havia uma senhora que me conhecia bastante. (…) Eu a indaguei: chegou alguma carta do juiz? Ela respondeu: aqui nunca chegou nenhuma correspondência sua.“.
Afastada da antiga empregadora, Leidinalva começou a acreditar que a dívida poderia ter sido esquecida ou até mesmo perdoada. Contudo, em 2024, recebeu a inesperada notícia de um processo em seu nome, que já se encontrava em um estágio avançado e desfavorável.
Tratamento de endometriose e débito
Em 2019, Leidinalva utilizou um empréstimo para erguer sua casa no jardim Ângela. Embora ainda restem alguns detalhes a serem finalizados, como a pintura do muro, a moradia conta com quatro cômodos e é compartilhada com seus dois filhos, uma neta e o esposo, que exerce a profissão de pedreiro e foi responsável pela construção das paredes da residência familiar.
Atualmente, Leidinalva está em tratamento para bursite e endometriose, o que a deixa com pouco tempo disponível para realizar as limpezas. Um dos clientes, ao ouvir sua história, sugeriu que ela procurasse os meios de comunicação. “Eu desejava encontrar a melhor solução”, afirma a diarista.
Durante o processo legal, o advogado de Vanessa, Firozshaw Rustomgy Junior, declarou que não conseguiu se comunicar com a funcionária.
Em relação à rejeição da proposta de parcelamento, o advogado de Vanessa esclareceu ao Brasil de Fato que não se trata de uma negativa pessoal da parte dela, mas de uma escolha técnica feita pelo seu representante/administrador no Brasil. Ele explicou que Vanessa vive “permanentemente“ em Londres, Inglaterra, e não tem acesso direto aos documentos do processo.
Rustomgy Junior confirmou que o procurador é o tio Josué Gonçalves Rodrigues, que possui a autorização para cobrar dívidas, fazer conciliações e celebrar acordos, além de “analisar a viabilidade do acordo”. Ele ressalta que a ação é exclusivamente relacionada “à existência de títulos de crédito (notas promissórias) inadimplentes” e que a execução “visa apenas obter um valor que é legitimamente devido”. (Foto: Instagram/Vanessa Martins)
Por Opinião em Pauta com informações do Brasil de Fato



