COP30 enfrenta impasse global sobre metas climáticas e financiamento

A COP30, conferência da ONU sobre o clima que acontece em Belém, enfrenta  forte pressão internacional. Segundo o Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2024 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), as metas nacionais atuais colocam o planeta no caminho de um aquecimento de 2,8°C, quase o dobro do limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.

Essa diferença é mais do que simbólica: um aquecimento de 2,8°C exporia cinco vezes mais pessoas a calor extremo e empurraria um terço da humanidade para além dos limites de temperatura historicamente suportáveis. O desafio da COP30 é convencer os países a adotar compromissos mais ambiciosos antes que a janela para manter a meta de 1,5°C se feche definitivamente.

 

Metas insuficientes

Em 2015, os países signatários do Acordo de Paris se comprometeram a revisar suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) a cada cinco anos, tornando-as progressivamente mais ambiciosas. Esta é a terceira rodada dessas metas — e, possivelmente, a última com chance de impacto significativo.

Segundo o PNUMA, 95% dos países perderam o prazo para apresentar suas novas NDCs, e apenas 64 das 197 nações enviaram planos atualizados. Mesmo entre as novas submissões, a ambição segue baixa: a redução coletiva das emissões projetada até 2035 é de apenas 10%, o que corresponde a um sexto do necessário para conter o aquecimento em 1,5°C.

A maioria dos países em desenvolvimento também condiciona suas metas a financiamento internacional, o que reflete outro impasse que se repete a cada conferência.

 

A lacuna de financiamento climático

Relatório do Instituto de Pesquisa Grantham indica que os países em desenvolvimento precisarão de US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para mitigar e se adaptar às mudanças climáticas. Na COP29, foi prometida a mobilização de US$ 300 bilhões pelos países ricos, apenas uma fração do necessário.

Com o recuo dos Estados Unidos, que deixaram um rombo de US$ 18 bilhões, e cortes orçamentários em países europeus, como Reino Unido, França e Alemanha, o cenário é considerado crítico.

A proposta em discussão na COP30 é o chamado “Roteiro de Baku a Belém para US$ 1,3 trilhão”, que sugere mecanismos para ampliar o financiamento por meio de novas fontes, como impostos sobre carbono e eliminação de subsídios aos combustíveis fósseis. O texto, no entanto, não é vinculante e ainda depende de endosso político dos negociadores.

 

Florestas e o novo mecanismo brasileiro

Realizada na porta de entrada da Amazônia, a COP30 também colocou o desmatamento sob os holofotes. Em 2024, o mundo perdeu uma área equivalente a 22 campos de futebol por minuto, e apenas 4% do financiamento climático global foi destinado à proteção das florestas.

Para tentar mudar esse cenário, o Brasil lançou o Mecanismo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que prevê pagamentos baseados em desempenho a países que reduzirem o desmatamento. O fundo pretende triplicar o financiamento florestal internacional, com US$ 1 bilhão inicial do Brasil e a meta de mobilizar US$ 25 bilhões adicionais de outros países e US$ 100 bilhões do setor privado.

Vinte por cento dos recursos devem ser destinados a povos indígenas e comunidades locais. A expectativa é que o modelo de remuneração contínua por resultados se torne um marco para o financiamento florestal global.

 

Dados do  Systems Change Lab, Estado da Ação Climática 2025: Relatório SoCA

 

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