Uma frota de pequenas embarcações iniciou a travessia do rio Amazonas em 16 de outubro, desde El Coca, no Equador, e pretende chegar a Belém em 9 de novembro. O destino é a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), na capital do Pará.
A flotilha ‘Yaku Mama’ (Mãe Água na língua quechua) carrega cerca de 50 pessoas e vai percorrer três mil quilômetros, passando por cidades na Colômbia, Peru e Brasil. A meta é reunir com povos originários e ribeirinhos durante a viagem, para discutir temas como a proteção e a gestão dos territórios amazônicos.
De acordo com comunicado da organização da Yaku Mama, o objetivo da iniciativa é “tornar visível a força das alternativas que já estão presentes nas suas comunidades, como os empreendimentos produtivos, a monitoração territorial e a ciência ancestral”.
Os povos originários gerem ou possuem direitos sobre um quarto da superfície terrestre, o que inclui 37% das terras naturais intactas e um terço das paisagens florestais do planeta. “A biodiversidade mantém-se mais estável nestas zonas do que em ecossistemas semelhantes fora delas”, frisaram os membros da Yaku Mama.
Os organizadores do movimento pretendem denunciar as falsas soluções para uma transição energética sustentável e exigir o cumprimento dos tratados internacionais para combater as alterações do clima e proteger o ambiente. Eles alertam para a imposição de “projetos extrativistas e novas zonas de sacrifício em territórios indígenas”.
Segundo Alexis Grefa, indígena quíchua e organizador da flotilha, “a caravana representa a luta contra os empreendimentos predatórios que ameaçam nossos territórios”. Ele menciona mineradoras, petroleiras, hidrelétricas e mercados de carbono como principais fatores de destruição ambiental e social.
“No mundo, especialmente na Amazónia, defender o próprio território tornou-se uma sentença de morte. De acordo com o último relatório da Global Witness, publicado em 2024, só entre 2012 e 2024, pelo menos 2.253 defensores foram assassinados ou desapareceram, 40% dos quais eram indígenas”, alertaram os membros da flotilha. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do Correio da Manhã (Portugal), Diário de Notícias (Port), RTP (Port) e clickpetroleoegas.com.br



