Quando o reality mostra o que há de mais cruel e vergonhoso em nós
Bia Cardoso – Chocante é pouco. As cenas envolvendo Yona Sousa (52 anos) em A Fazenda , não pertencem ao universo do entretenimento, mas ao catálogo da barbárie moderna.
O que o público assistiu nas cenas exibidas no sábado, foi idadismo explícito, agressão disfarçada de brincadeira e humilhação televisionada , uma coreografia cruel que diz mais sobre nós, espectadores, do que sobre os peões que a praticaram.
Molhar alguém com água, aos gritos, sob insultos, é uma violência simbólica e física. Pior: é uma violência aplaudida.
E quando Yona revida, molhando edredons, o gesto é lido como “birra”, não como o grito de uma mulher isolada , acuada dentro de um jogo que premia a crueldade.
A emissora, transforma o abuso em conteúdo; o público, cúmplice, o consome como distração. Assim, o reality cumpre um papel perverso: o de normalizar o desrespeito e transformar sofrimento em espetáculo.
O episódio deveria ser tema de uma discussão séria sobre limites éticos na TV brasileira, não de memes nas redes.
Quando a empatia vira alvo e a audiência é o juiz, o que está em jogo não é o prêmio . É a nossa própria humanidade.


