Colaboradores de Jair Bolsonaro reconheceram, confidencialmente, a apreensão em relação à amplitude dos protestos contra a PEC da Blindagem e a anistia. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, que sublinhou que as mobilizações, realizadas no domingo (21) em várias localidades, surpreenderam até mesmo os legisladores mais próximos ao ex-chefe do Executivo.
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa proteger os parlamentares, recentemente aprovada pela Câmara dos Deputados, torna mais rigorosas as normas para o início de processos penais contra esses membros, algo que especialistas avaliam como um retrocesso superior a vinte anos na legislação. De acordo com fontes próximas a Bolsonaro, a manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, foi a que mais se destacou, tanto pelo número de participantes quanto pelo valor simbólico do local.
Para os suportes do ex-chefe do Executivo, a aprovação da PEC resulta em um repasse da luta contra a corrupção ao governo Lula e à esquerda, um assunto que tradicionalmente engajou grupos associados ao bolsonarismo. Além disso, o progresso na proposta de anistia para os que participaram dos eventos golpistas de 8 de janeiro, interpretado como uma manobra para favorecer Bolsonaro, começou a provocar reprovações entre os membros da base.
A impressão é de que a ordem das votações — começando pela PEC da Blindagem e seguida pela urgência na anistia — pode complicar a aprovação do projeto, especialmente após a intensa resposta da população.
Repercussão no governo
O governo federal acolheu com alegria a participação do público nas manifestações. O advogado-geral da União, Jorge Messias, ressaltou em suas plataformas sociais a natureza democrática dos eventos.
“Neste domingo, o Brasil reafirmou sua democracia diante do mundo. As ruas de diversas metrópoles ficaram lotadas em defesa de nossas conquistas democráticas. A população manifestou sua determinação pela preservação do nosso Estado de Direito. Com serenidade e paz, os cidadãos traçaram, nas praças e nas ruas, o esboço de suas esperanças e as expectativas que têm em relação aos seus representantes. Vamos continuar unidos, com bravura e cada vez mais esperançosos! A democracia é sempre um percurso e nunca um destino final. Temos muito a edificar”, afirmou Messias. (Foto: Agência Brasil)
Por Opinião em Pauta com informações de O Globo


