Em um gesto simbólico e político, lideranças da Terra Indígena Mãe Maria, no Pará, enviaram carta ao secretário-geral da COP 30, Antônio Guterres, convidando-o a visitar a Aldeia Kateiokuaré Parkatêjê, comandada pelo cacique Breno Kateiokuaré Kuati.
O convite ocorre em meio à exclusão de diversas delegações indígenas da conferência climática, situação que evidencia a persistente marginalização dos povos originários nos espaços de decisão global.
Na carta, os indígenas denunciam as ameaças enfrentadas pela comunidade e lembram a trajetória de Capitão Toprãmer Krôhôkrenhūm Jõpaipaire, líder falecido que simboliza a resistência e a luta por justiça nos Territórios Indígenas Mãe Maria. “Não podemos permitir que nossa floresta se queime sem que o mundo veja, sem que nossa voz seja ouvida”, dizem os líderes, numa alusão ao apelo reiterado do cacique Raoni: “Se a floresta morre, nós morremos junto”.
O território, com 62 mil hectares de floresta preservada, é apontado como um bastião de biodiversidade e um regulador natural do clima.
Contudo, a carta sublinha os impactos de incêndios e invasões de terras, agravados por políticas públicas ineficazes, e a falta de reconhecimento financeiro pelo manejo dos créditos de carbono produzidos na região. “Somos guardiões da floresta, mas não podemos continuar pagando sozinhos o preço da destruição que afeta o planeta inteiro”, afirmam.
O tom da comunicação é direto e crítico: denuncia omissões institucionais, questiona a ausência de mecanismos de justiça climática e coloca em xeque a governança internacional. Ao mesmo tempo, reafirma a centralidade da voz indígena na COP 30, lembrando que modos de vida tradicionais e preservação ambiental são inseparáveis.
“Convidamos Vossa Excelência para que veja com seus próprios olhos o que está em jogo e fortaleça a luta de todos os povos por nossos direitos e pela proteção da floresta. “ Se a Amazônia morre, morre também a esperança de todo o planeta”, conclui a carta, em apelo que mistura urgência ambiental e reivindicação política. (Foto: Reprodução)
Texto: Ascom TI Mãe Maria



