O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil busca aumentar suas trocas comerciais com a Nigéria e destacou que ambas as nações estão comprometidas com o livre comércio, especialmente em um período em que o “protecionismo e o unilateralismo“ ganham força globalmente. Lula recebeu o presidente da Nigéria, Bola Tinubu, em uma visita oficial na segunda-feira (25), no Palácio do Planalto, e reiterou sua preocupação com o progresso do continente africano.
Ele destacou que as trocas comerciais entre o Brasil e a Nigéria “reduziram significativamente” na última década, caindo de US$ 10 bilhões em 2014 para apenas US$ 2 bilhões no ano anterior, com a Nigéria ocupando a posição de quarto maior parceiro comercial do Brasil no continente africano.
“Recentemente, os governos do Brasil se afastaram da África. As duas principais economias da América Latina e da África precisam aumentar significativamente sua troca comercial”, comentou durante uma entrevista à mídia.
“Atualmente, com o aumento do protecionismo e do unilateralismo, Nigéria e Brasil renovam seu compromisso com o comércio livre e a integração produtiva. Mantemos nossa dedicação à criação de um mundo pacífico, sem imposições hegemônicas”, afirmou.
Lula mencionou como potenciais campos de colaboração a agricultura, a pecuária, os setores de petróleo e gás, a indústria de fertilizantes, além de aeronaves e maquinários. Atualmente, as exportações brasileiras são compostas em grande parte por açúcares e melaços, representando 74% do total, enquanto as importações focam sobretudo em fertilizantes e em petróleo, ambos com uma participação de 48%.
Lula reiterou que o Brasil possui uma responsabilidade com o continente africano, em razão dos 350 anos de escravidão que o povo negro enfrentou em solo brasileiro. Segundo o presidente, essa dívida histórica precisa ser quitada com solidariedade, inovação tecnológica e suporte para o avanço da agricultura local, estabelecendo uma relação que seja “solidária, fraterna e igualitária”.
“A maneira de contribuirmos não deve ser avaliada em termos financeiros, mas sim em solidariedade e em consonância política, econômica e cultural. O Brasil precisa apoiar a África, compartilhando tecnologia e conhecimento, especialmente nas lições que aprendemos no país, principalmente no setor agrícola. Temos a responsabilidade de auxiliar o continente africano a alcançar um desenvolvimento semelhante ao que experimentamos.“.
O presidente da Nigéria, Bola Tinubu, destacou que o país possui uma população bastante jovem, disposta a trocar ideias e explorar as oportunidades oferecidas pelas transferências tecnológicas. “Eles estão cientes de que o Brasil possui os recursos necessários para nós”, declarou.
De acordo com Tinubu, a Nigéria busca investir na fabricação de medicamentos genéricos, um setor já bem estabelecido no Brasil, além de estabelecer colaborações com a Petrobras para a extração de gás natural. “Estamos entre os três maiores produtores de petróleo da África, e essa posição não tem resultado em atividades comerciais de valor agregado como seria esperado”, declarou.
Diversos tratados
A Nigéria se destaca como um importante colaborador do Brasil na África, com uma relação bilateral que já dura 65 anos.
Em junho, na cidade de Abuja, que é a capital da Nigéria, o vice-presidente Geraldo Alckmin liderou, pela parte brasileira, a reunião do Mecanismo de Diálogo Estratégico. No início do ano, em março, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fez uma visita oficial ao país africano.
Durante essa reestabelecimento da colaboração, Lula mencionou que diversos tratados já foram concretizados em setores como defesa, agricultura e pecuária, segurança, produção de audiovisual, comércio, investimentos, turismo e energia.
Na visita realizada nesta segunda-feira, foram firmados cinco acordos bilaterais. Um desses acordos diz respeito à aviação civil, visando criar e desenvolver serviços aéreos entre as duas nações. Foi aprovada a implementação de um voo direto entre São Paulo e Lagos, uma cidade costeira da Nigéria, que será realizado pela principal companhia aérea do país africano, a Air Peace.
Outros memorandos de entendimento foram firmados visando a capacitação de diplomatas, a criação de consultas políticas sobre assuntos bilaterais, bem como questões regionais e globais. Adicionalmente, foi estabelecida uma parceria entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil (BNDES) e o Banco de Agricultura da Nigéria (BoA) com o intuito de incentivar o comércio e os investimentos.
Ao final, as duas nações assinaram um acordo visando à cooperação nas áreas de ciência, tecnologia e inovação. A meta é fomentar uma colaboração produtiva em investigações sobre biotecnologia e bioeconomia, ciências do oceano, ecossistemas inovadores, energia, exploração espacial, digitalização e desenvolvimento de recursos naturais.
Em sua fala, Lula mencionou que, ainda neste semestre, o Brasil deverá nomear um representante da Polícia Federal para trabalhar em Abuja, a capital da Nigéria. “A nossa reunião de hoje destacou a preocupação com o enfrentamento do crime organizado, do terrorismo e do tráfico internacional de drogas“, afirmou. (Foto: PR/Divulgação)
Por Opinião em Pauta com informações da Secom/PR


