Rodrigo Vargas – Um dia deste assistindo a um Podcast (hábito que tenho praticado nos últimos tempos), parei em um episódio onde o jornalista/historiador Eduardo Bueno, o Peninha, falava sobre o início do futebol no Rio Grande do Sul, e entre as idas e vindas de seu raciocínio falou da origem da palavra “amador” dentro do esporte.
Neste momento como diz minha companheira de vida “Meu TDAH foi à loucura”, e veio à tona que no Brasil, chamar alguém de “amador” quase sempre soa como crítica. É a forma educada de dizer: “Não sabe o que está fazendo.” Mas a história da palavra é bem mais bonita do que a má fama que ela ganhou.
Lá no latim, “amador” era amator: aquele que ama. Simples assim. Sem diploma, sem certificado, sem registro em carteira. Apenas alguém que faz algo por puro e genuíno amor, e com certeza uma dedicação acima de qualquer suspeita.
No português antigo, “amador” aparecia nos versos trovadorescos, sempre com olhos brilhando e coração na mão.
Com o tempo, a palavra foi perdendo poesia. Saiu dos poemas e foi parar nas críticas do cotidiano, já que é comum ouvirmos alguém falando que se a comida não presta, é “coisa de amador”. Se o time erra o passe, é “coisa de amador”. E por aí vai.
Mas vale lembrar: ser amador não é profissão é dom. É a arte de fazer algo porque se ama, não porque se recebe. É quando a entrega vale mais do que o salário.
E foi aí que me ocorreu uma provocação: se “amador” é, por definição, aquele que ama, não seria um casal apaixonado um par de amadores?
Dois especialistas no sentimento mais antigo do mundo, trabalhando sem férias, sem folga e sem remuneração. Aliás, pagando para trabalhar, já que tem gastos com jantares, presentes, viagens… o amor atualmente não sai barato, mas com certeza o amor verdadeiro não tem preço, tem valor.
Seria muito interessante resgatar o verdadeiro sentido da palavra. Em vez de usá-la como ofensa, transformá-la em elogio. Porque, se o mundo fosse movido apenas por profissionais da frieza, estaríamos perdidos.
Já os amadores… ah, esses sim, movem o mundo.



