Quatro estados concentram 76% das dívidas com a União

Os mais quebrados devem quase R$ 1 trilhão para o Governo Federal: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, e São Paulo

 

Em 2024, a União Federal detém uma dívida ativa superior a R$ 1 trilhão, conforme informações do Portal de Transparência acessadas pelo Portal iG, com os 26 estados e o Distrito Federal. Contudo, apenas quatro estados respondem por 76,49% desse total: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O elevado índice de juros e de ajustes monetários, juntamente com a falta de pagamento e a concessão de novos créditos, são os fatores principais que contribuem para o custo elevado, de acordo com o Sindicato dos Servidores da Tributação, Fiscalização e Arrecadação do Estado de Minas Gerais (Sinfazfisco-MG).

Segundo o Tesouro Nacional, responsável pela administração da dívida pública federal, o valor total dessa dívida alcança R$ 1,19 trilhão, sendo que R$ 910,8 bilhões correspondem a quatro estados específicos.

Aumento das dívidas

Recentemente, a dívida dos estados teve um crescimento significativo. Durante a pandemia, a receita tributária despencou, especialmente a proveniente do ICMS, que representa a principal fonte de recursos para os estados, enquanto as despesas na área de saúde aumentaram.

De acordo com a economista Denize Batizelli, que possui pós-graduação em Gestão Pública pela FGV e mais de 15 anos de experiência no setor, em uma entrevista ao Portal iG, os gastos obrigatórios, como salários e previdência, continuam a exercer pressão sobre os orçamentos, mesmo após a retomada econômica.

“Um fator adicional que pode ter influenciado o crescimento da dívida, em certas situações, é a gestão inadequada dos recursos públicos e a ausência de um planejamento a longo prazo”, esclarece a especialista.

Entre 2017 e 2024, os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul mostraram um crescimento das dívidas superior a 50%. São Paulo, embora tenha registrado um aumento bem inferior na sua dívida com a União, ainda assim apresenta o maior saldo negativo, totalizando aproximadamente R$ 372 bilhões.

Durante esse intervalo, a dívida do estado de Minas Gerais cresceu de R$ 108,9 bilhões para R$ 191,7 bilhões, representando um acréscimo de 75,92%. No caso do Rio de Janeiro, a dívida saltou de R$ 137,1 bilhões para R$ 217,9 bilhões, o que equivale a uma elevação de 58,91%. Por sua vez, o Rio Grande do Sul viu sua dívida aumentar de R$ 76,7 bilhões para R$ 128,9 bilhões, com um crescimento de 68,16%. São Paulo teve um incremento de 26,27%, subindo de R$ 294 bilhões para R$ 372,2 bilhões. 

Na imagem destacada,  sede do Banco Central, do Tesouro Nacional, em Brasília (Foto: Enildo Amaral/BCB)

 

Por Opinião em Pauta com informações do IG

 

 

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