“Gonet e Moraes inviabilizam pacto do Brasil com o Diabo”

Josias de Souza (UOL).  – Na carta endereçada a Lula, Trump propôs um pacto diabólico. O Brasil venderia sua alma ao Diabo a troco do fim da taxa de 50%. O Cramulhão alaranjado foi direto ao ponto: “A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!”.

Lula refutou a parceria. Mas ainda que quisesse firmar um pacto com Satanás, não teria como garantir sua execução. Vence nesta segunda-feira o prazo para que o procurador-geral Paulo Gonet entregue ao Supremo as alegações finais referentes ao pedaço do julgamento da trama golpista que envolve Bolsonaro. O texto pede condenação implacável.

Alheio às maquinações do Coisa-Ruim, Alexandre de Moraes organiza para setembro o encontro de Bolsonaro com a sentença condenatória. Determinou que os prazos processuais não sejam interrompidos durante o recesso do Judiciário, neste mês de julho. Escorando-se no Código Penal, sustentou que a prisão do general Braga Netto impede o congelamento do calendário.

Depois do rodízio de churrasco, do brigadeiro e de todos as maravilhas mencionadas na introdução de “No Tabuleiro da Baiana”, do Ary Barroso, a maior criação de Deus foi o Diabo. Mentiroso, Asmodeu só engana quem pensa que é melhor do que ele. Tome-se o caso de Eduardo Bolsonaro.

Ajoelhado perante Belzebu, pediu uma sanção contra Alexandre de Moraes. Obteve uma paulada contra empresários e trabalhadores brasileiros. Ainda assim, Eduardo assumiu gostosamente o papel de traidor da pátria. Postou nas redes: “A carta do presidente dos Estados Unidos apenas confirma o sucesso na transmissão daquilo que viemos apresentando com seriedade e responsabilidade.”.

Sem pacto ou com pacto, Bolsonaro será condenado. Mas tirando-se o Diabo da história, a coisa ficaria mais chata. O capitão continuaria tocando a cítara da pacificação, fingindo não notar que, no seu caso, a forca é o melhor instrumento de corda. Eduardo continuaria vendendo a pátria aos americanos com certificado de garantia falso.

Agora, com os negócios na berlinda e os empregos na marca do pênalti, até os devotos mais fervorosos do bolsonarismo talvez considerem a hipótese de mandar o “mito” e seus operadores para o diabo que os carregue. Se o Brasil fosse um país lógico, a pacificação viria na forma de oração coletiva para que Deus faça justiça, livrando o país de todo mal, amém.

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