Quem Vai Calar Quem?

Rodrigo Vargas  –   Não é de hoje que nós brasileiros descobrimos novos jeitos de nos expressar. Já usamos latas nas janelas, cartazes nas ruas, rádios comunitárias e — mais recentemente — redes sociais. O celular virou palanque e confessionário, palco e plateia ao mesmo tempo.

É ali, entre um meme e uma reclamação sobre o preço da carne, que, como popularmente chamamos de “Tia do Zap” fala. Fala do que sente, do que sofre, do que sonha. Para muita gente, é a única forma de se fazer ouvido. É como se as redes fossem um megafone que, pela primeira vez, não precisa de autorização, muito menos de favor para usar.

Mas como todo megafone, o som que sai pode magoar e machucar a quem não se endereça os gritos. Pois, até onde sei, não existe filtro para o som de megafone.

Porque enquanto muita gente grita por justiça, outras sussurram mentiras bem ensaiadas. Há quem use esse espaço para enganar, manipular, jogar gasolina no barril da democracia. A notícia falsa pode se apresentar vestida de terno, a calúnia chega editada e com a música do momento e o ódio se disfarça de opinião sincera.

E então surge a pergunta: precisamos regular as redes sociais?

Talvez sim, talvez não. Mas antes de apertar o botão da censura, é preciso olhar com calma. Porque há uma grande diferença entre opinião e crime, entre desabafo e discurso de ódio, entre crítica e desinformação coordenada.

Não dá para jogar todo mundo no mesmo balaio, pois acredito que por vezes é falta de instrução mesmo.

Se a “Tia do Zap” escreve que “está difícil confiar em político”, isso não pode ser tratado como incitação ao caos, já que muitas vezes ela nem conhece um pessoalmente. Se um jovem negro denuncia a violência policial, isso não é ataque à lei e ordem. Se um cidadão comum diz que sente medo do futuro, isso é só medo. E o medo também fala.

Regulamentar não pode ser sinônimo de silenciar e censurar a população. E muitas vezes é isso que tem parecido: CENSURA.

É preciso distinguir o veneno do desabafo. Criar regras, sim, mas com bom senso, transparência e respeito à pluralidade. Porque liberdade não é licença para destruir — mas também não pode ser refém da conveniência de quem está no poder.

A democracia é barulhenta. E talvez seja esse o seu maior charme.

Então, antes de qualquer nova lei, que tal escutar um pouco mais? Que tal lembrar que, por trás de cada postagem, existe alguém querendo ser ouvido — seja por revolta, por afeto ou apenas para dizer que não concorda.

E a grande dúvida que fica no ar: Quem fará esse controle? Eu, você leitor ou quem não concorda com nossas opiniões. (Foto: Reprodução)

 

(*) Jornalista, Assessor de Comunicação, Palestrante e especialista em comunicação interpessoal. Autor do e-book “Comunicação para o Dia a Dia – Como se conectar melhor com os outros – e consigo mesmo”.

 

 

Rodrigo Vargas  –   Não é de hoje que nós brasileiros descobrimos novos jeitos de nos expressar. Já usamos latas nas janelas, cartazes nas ruas, rádios comunitárias e — mais recentemente — redes sociais. O celular virou palanque e confessionário, palco e plateia ao mesmo tempo.

É ali, entre um meme e uma reclamação sobre o preço da carne, que, como popularmente chamamos de “Tia do Zap” fala. Fala do que sente, do que sofre, do que sonha. Para muita gente, é a única forma de se fazer ouvido. É como se as redes fossem um megafone que, pela primeira vez, não precisa de autorização, muito menos de favor para usar.

Mas como todo megafone, o som que sai pode magoar e machucar a quem não se endereça os gritos. Pois, até onde sei, não existe filtro para o som de megafone.

Porque enquanto muita gente grita por justiça, outras sussurram mentiras bem ensaiadas. Há quem use esse espaço para enganar, manipular, jogar gasolina no barril da democracia. A notícia falsa pode se apresentar vestida de terno, a calúnia chega editada e com a música do momento e o ódio se disfarça de opinião sincera.

E então surge a pergunta: precisamos regular as redes sociais?

Talvez sim, talvez não. Mas antes de apertar o botão da censura, é preciso olhar com calma. Porque há uma grande diferença entre opinião e crime, entre desabafo e discurso de ódio, entre crítica e desinformação coordenada.

Não dá para jogar todo mundo no mesmo balaio, pois acredito que por vezes é falta de instrução mesmo.

Se a “Tia do Zap” escreve que “está difícil confiar em político”, isso não pode ser tratado como incitação ao caos, já que muitas vezes ela nem conhece um pessoalmente. Se um jovem negro denuncia a violência policial, isso não é ataque à lei e ordem. Se um cidadão comum diz que sente medo do futuro, isso é só medo. E o medo também fala.

Regulamentar não pode ser sinônimo de silenciar e censurar a população. E muitas vezes é isso que tem parecido: CENSURA.

É preciso distinguir o veneno do desabafo. Criar regras, sim, mas com bom senso, transparência e respeito à pluralidade. Porque liberdade não é licença para destruir — mas também não pode ser refém da conveniência de quem está no poder.

A democracia é barulhenta. E talvez seja esse o seu maior charme.

Então, antes de qualquer nova lei, que tal escutar um pouco mais? Que tal lembrar que, por trás de cada postagem, existe alguém querendo ser ouvido — seja por revolta, por afeto ou apenas para dizer que não concorda.

E a grande dúvida que fica no ar: Quem fará esse controle? Eu, você leitor ou quem não concorda com nossas opiniões.

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