ONU: 3 países negam que tráfico negreiro foi ´crime da humanidade’

Somente os Estados Unidos, Israel e Argentina se opuseram, na ONU, a uma resolução aprovada nesta quarta-feira (25), que reconhece o tráfico de africanos escravizados como o crime mais hediondo contra a humanidade.

Delegados de 123 nações diferentes manifestaram seu apoio à proposta, enquanto 52 países, incluindo o Reino Unido e nações da União Europeia, optaram por se abster.

A proposta de resolução foi apresentada por Gana, que afirma estar esperançosa em facilitar o processo de reparação e justiça para os descendentes de indivíduos que foram traficados.

Desde que Javier Milei tomou posse como presidente da Argentina, a nação tem expressado suas opiniões na ONU de maneira mais sincronizada com Israel e os Estados Unidos.

A parceria entre Washington e Buenos Aires na organização tem se intensificado desde que Donald Trump, amigo de Milei, reassumiu a presidência.

A decisão não tem caráter obrigatório. Durante o processo de votação, o chefe de Estado africano, John Dramani Mahama, acusou os EUA e os países europeus que se mostraram contrários à proposta de tentaremlegitimar o esquecimento da história do povo“.

Gana declarou que a adoção da medida era essencial devido às repercussões da escravidão, que resultou na apreensão e comercialização de ao menos 12,5 milhões de africanos entre os séculos XV e XIX, cujos efeitos ainda são visíveis atualmente, incluindo as desigualdades raciais. A votação foi realizada em uma sessão especial da Assembleia Geral da ONU para comemorar o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos, que acontece sempre no dia 25 de março.

O chanceler do Gana, Samuel Ablakwa, afirmou que a decisão pede por responsabilização.

Justin Hansford, docente de direito na Universidade Howard, declarou à Reuters que a resolução marca um significativo progresso da ONU ao reconhecer a escravidão transatlântica como um crime contra a humanidade e ao solicitar reparações. (Foto: Tomas Cuesta/Reuters)

Por Opinião em Pauta com informações da Reuters

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