Ministros do TSE querem fim da IA antes do início do horário eleitoral

Cinco dias antes do começo da campanha publicitária gratuita, integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) advogam pela necessidade de esclarecer as incertezas a respeito da aplicação de inteligência artificial (IA) nas eleições deste ano.

A norma atual do TSE veda a utilização de deepfakes, assim como de vídeos, imagens ou áudios alterados por inteligência artificial que imitem discursos ou comportamentos de indivíduos reais, quando essa tecnologia é empregada para favorecer ou prejudicar candidatos.

Embora exista uma norma, o postulante do PL à presidência, Flávio Bolsonaro, e seus apoiadores têm contestado a interpretação da Justiça Eleitoral ao empregar vídeos gerados por inteligência artificial que exibem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Membros do TSE apoiam que o presidente do tribunal, Kássio Nunes Marques, analise, antes do começo da campanha eleitoral em rádio e televisão, a ação que contesta a utilização, na convenção do PL, de um vídeo gerado por inteligência artificial onde Jair Bolsonaro manifesta apoio ao seu filho, selecionado pelo partido como candidato à Presidência.

Conforme membros do tribunal, a avaliação do caso é considerada essencial para firmar a compreensão da Corte acerca das fronteiras do emprego da inteligência artificial nas campanhas eleitorais.

De acordo com a análise dos ministros, caso o TSE não reafirme claramente a proibição do uso de deepfakes estabelecida na resolução eleitoral, os candidatos poderão se sentir encorajados a infringir as normas definidas pela Justiça Eleitoral.

A preocupação é que isso resulte em um aumento significativo de processos legais questionando a utilização da ferramenta durante a campanha, além de criar oportunidades que possam beneficiar determinados candidatos em detrimento de outros.

A regulamentação sobre o assunto foi ratificada pelo TSE em resposta à crescente preocupação em relação às tecnologias de inteligência artificial generativa, que têm a habilidade de criar conteúdos falsos com uma aparência convincente.

O tribunal considera que a aplicação desse tipo de tecnologia pode colocar em risco a veracidade dos dados e impactar de maneira inadequada as escolhas dos eleitores.

Atualmente, existe uma maior quantidade de apoio no tribunal para sustentar a restrição estabelecida na resolução, fundamentando-se nas opiniões previamente expressas pela ministra Estela Aranha, que é a relatora dos casos relacionados ao assunto.

Entretanto, em três decisões acerca da aplicação de inteligência artificial nas eleições, Nunes Marques solicitou a suspensão do julgamento.

O presidente do TSE afirmou que a ação é essencial para padronizar a interpretação do tribunal em relação ao emprego de deepfakes e demais tecnologias de inteligência artificial na eleição deste ano.

Nos corredores do Palácio, no entanto, alguns ministros consideram que é fundamental que a decisão aconteça antes do começo do período de propaganda eleitoral gratuita. Isso serviria para prevenir incertezas legais durante a campanha e esclarecer quais condutas serão autorizadas ou vetadas aos candidatos. (Foto: Reprodução)

Por Opinião em Pauta com informações do G1- Valdo Cruz

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