Ministro da Defesa de Israel insiste em manter tropas no Líbano

Henrique Acker –  Israel não só promoveu novos ataques contra o Líbano, como prometeu manter tropas em território libanês. Isso após o anúncio de um acordo de paz em todo o Oriente Médio, confirmado nesta segunda-feira, 15 de junho, pelos governos dos EUA e do Irã.

“Netanyahu e eu lideramos uma política clara de que as forças de Israel permanecerão no Líbano, Síria e Gaza”, declarou nesta madrugada Israel Katz, ministro da Defesa israelense.

Por sua vez, o governo iraniano exigiu o fim da guerra em todas as frentes e o respeito à soberania e integridade territorial do Líbano. O Ministério das Relações Exteriores do Irã advertiu que o memorando de paz cita três vezes que o Líbano é parte integrante do acordo.

O porta-voz iraniano, Esmail Baghae, afirmou em entrevista coletiva de imprensa que “nenhum acordo é sustentável” caso a segurança do Líbano seja ameaçada.

 

Exército libanês pede cautela à população

A agência de notícias estatal libanesa NNA informou que o ataque desta manhã (15/6) deixou um morto e alguns feridos nas cidades de Kfar Tebnit e Nabatieh al-Fawqa. O acordo firmado entre Irã e EUA, mediado pelo Paquistão com o apoio da Turquia e Qatar, deve ser homologado em cerimônia marcada para19 de junho, em Genebra, na Suíça.

Apesar do alívio e das comemorações da população libanesa com o acordo de paz entre EUA e Irã, o Exército do país enfatizou a necessidade de os libaneses adiarem seu retorno às vilas e cidades da fronteira sul do país.

Em comunicado, o Comando do Exército pediu aos moradores da região para “seguirem as instruções das unidades militares destacadas, a fim de proteger sua segurança contra o perigo de violações e ataques israelenses”.

 

Libaneses comemoram

Mesmo com o alerta do governo, grande parte dos deslocados do sul do Líbano prepara-se para retornar ao que sobrou de suas casas, após os bombardeiros de Israel.  “Nossa alegria é maior que a do mundo inteiro”, disse à agência de notícias France-Presse (AFP)uma moradora deslocada da cidade de Khirbet Selm, perto da fronteira.

Na ponte Qasmiyeh, porta de entrada para a região de Tiro, dezenas de carros carregados de colchões e malas passavam por um posto de controle do exército libanês, com os passageiros fazendo sinais de vitória. “Vamos montar uma tenda e ficar nela”, declarou outra entrevistada pela AFP.

O Centro de Operações de Emergência em Saúde do Ministério da Saúde do Líbano reistrou em 15 de junho que “o saldo cumulativo total da agressão(israelense), de 2 de março a 15 de junho, é de 3.798 mártires e 11.781feridos”.

 

Israelenses lamentam

Já em Israel o sentimento de boa parte da população é de frustração com o acordo firmado entre os EUA e o Irã, sobretudo ao Norte, na fronteira com o Líbano.

Em declaração à AFP, Koby Heller, morador de Jerusalém e proprietário de uma rede de clínicas ortopédicas, disse que o sentimento geral em Israel é de derrota. “Todos com quem converso me dizem: ‘Perdemos'”.

“O presidente Trump entrou em guerra junto com Israel para atingir objetivos. Os objetivos eram — como ele afirmou — desmantelar os mísseis e remover o estoque de urânio do Irã. Nenhum dos dois foi alcançado”, concluiu.

Na imagem destacada, libaneses preparam-se para retornar ao sul do país. (Reprodução)

 

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do Times de Israel, Agência France-Presse, UOL Notícias, agência estatal de notícias do Líbano (NNA) e CBN.

Relacionados

plugins premium WordPress