Henrique Acker – Os governos dos EUA e do Irã chegaram a um acordo de paz, que deve pôr fim ao conflito de mais de 100 dias no Golfo Pérsico e no Líbano. Os termos do acordo devem ser assinados e divulgados na sexta-feira, 19 de junho, em Genebra, na Suíça.
Segundo o Crescente Vermelho, órgão de socorro internacional no Oriente Médio, foram cerca de 5.000 mortos e 20 mil feridos em bombardeios no Irã e no Líbano. Em torno de quatro milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar de suas casas no Líbano, no Irã e em Israel.
Trump e governo do Irã confirmam
Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, declarou à agência de notícias iraniana Tasnim que um “fim imediato e permanente da guerra e das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano”, seria anunciado nesta segunda-feira, 15 de junho. A Casa Branca confirmou a decisão para a mesma data.
Até a véspera do anúncio do acordo, anunciado em redes sociais pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, na noite de domingo (14/6), Israel chegou a bombardear Beirute, a capital do Líbano. Donald Trump reconheceu problemas com seu aliado, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, a quem definiu como “difícil”.
Apesar do anúncio triunfal de Trump sobre a reabertura imediata do Estreito de Ormuz – como se a liberação da passagem de navios petroleiros dependesse das tropas estadunidenses – analistas admitem que a balança do acordo seria favorável ao Irã.
Termos do acordo
A agência de notícias iraniana Mehr informou que a minuta do acordo contém 14 pontos e inclui:
. Cessar-fogo permanente e imediato das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano;
. Levantamento completo do bloqueio naval em 30 dias;
. Compromisso dos EUA de retirar suas forças do entorno do Irã;
. Reabertura do Estreito de Ormuz.
. Suspensão das sanções às vendas de petróleo pelo Irã;
. Um acordo final sobre questões nucleares dentro de 60 dias após a assinatura do acordo;
. Liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados durante o período de negociação de 60 dias.
A agência Mehr também informou que as negociações finais não começariam até que metade dos ativos congelados do Irã fosse liberada e as restrições que afetam o Estreito de Ormuz fossem suspensas.
As discussões relativas ao programa de mísseis do Irã e ao seu apoio a grupos de resistência foram retiradas da agenda de negociações, acrescentou.
Custos e repercussões
Os mercados internacionais reagiram positivamente ao anúncio do fim do conflito. Os preços futuros do petróleo Brent caíram 4% e o West Texas Intermediate recuou mais de 4,6%, já a partir desta segunda-feira (15/6). Israel, que não é parte do acordo, não se pronunciou.
O acordo que deve pôr fim ao conflito no Golfo Pérsico faz lideranças europeias respirarem aliviadas. Já se anunciava uma grave crise de abastecimento na aviação comercial, o que levou ao cancelamento de milhares de vôos e aumento das passagens no início do verão europeu.
Ainda não há um levantamento preciso dos custos e prejuízos causados pela guerra no Golfo Pérsico desde 28 de fevereiro deste ano. Antes do conflito, o petróleo Brent era negociado na faixa de US$ 70 a US$ 75 por barril, chegando a alcançar US$ 120.
Só as companhias aéreas dos EUA registraram prejuízos de cerca de US$ 11 bilhões. Calcula-se que as despesas diárias dos EUA com a guerra chegaram à casa de US$ 1 bilhão/dia.
Guardadas as proporções, analistas internacionais já admitem que o acordo pode representar uma derrota para os EUA de dimensões semelhantes à do Vietnã.
O desfecho do conflito terá repercussões no resultado das eleições parlamentares nos EUA, em 3 de novembro. O mesmo deve ocorrer em Israel, com eleições previstas para até 27 de outubro. A conta pode ficar salgada tanto para Trump quanto para Netanyahu. (Foto: Reprodução / AFP)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações da Al Jazeera, DW, Agência Reuters, Exame, agências de notícias Tasnim e Mehr (Irã), e G1.



