Apesar do avanço do aquecimento global provocado pela atividade humana e do aumento da poluição, o fim das condições que sustentam a vida na Terra, em um futuro extremamente distante, deverá ser provocado por um processo natural: a evolução do próprio Sol.
À medida que a estrela envelhecer, o aumento gradual da radiação solar deverá desencadear uma série de mudanças na atmosfera terrestre, levando à redução drástica dos níveis de oxigênio. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Nature Geoscience.
De acordo com os pesquisadores, a atmosfera terrestre deverá manter níveis de oxigênio superiores a 1% dos valores atuais por aproximadamente 1,08 bilhão de anos. Depois disso, a combinação entre o aumento da temperatura e a redução do dióxido de carbono (CO₂) poderá provocar uma rápida desoxigenação do planeta.
Escassez de CO₂
O fenômeno está relacionado ao processo natural de envelhecimento do Sol. À medida que consome hidrogênio em seu núcleo, a estrela se torna gradualmente mais brilhante e quente.
Em escalas de tempo geológicas, de centenas de milhões de anos, o aumento da radiação solar elevará a temperatura da superfície terrestre e acelerará reações químicas entre a atmosfera e as rochas.
Uma das consequências será a retirada progressiva de CO₂ da atmosfera e seu armazenamento nas rochas. A redução desse gás terá um impacto direto sobre as plantas e outros organismos fotossintetizantes, que dependem do dióxido de carbono para realizar a fotossíntese.
Com menos CO₂ disponível, a fotossíntese entrará em declínio. Como esse processo é responsável pela produção da maior parte do oxigênio atmosférico, a redução da atividade fotossintética deverá provocar também uma queda significativa na concentração do gás.
Ao mesmo tempo, o aumento contínuo da luminosidade solar fará com que a temperatura global avance ainda mais, criando um cenário cada vez menos favorável à vida.
Mudança radical
Os pesquisadores Kazumi Ozaki, da Universidade Toho, no Japão, e Christopher Reinhard, do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech), utilizaram modelos computacionais para simular a evolução do sistema terrestre.
Foram realizadas mais de 400 mil simulações, considerando diferentes condições para a atmosfera, o clima e os ciclos químicos do planeta. Os resultados indicaram que, quando os níveis de CO₂ chegarem a um ponto crítico, a perda de oxigênio poderá ocorrer de maneira relativamente rápida.
A atmosfera da Terra passaria então por uma transformação profunda, tornando-se pobre em oxigênio e mais rica em metano, em condições que lembrariam, em alguns aspectos, a atmosfera do planeta em seus estágios mais primitivos, há cerca de 2,5 bilhões de anos.
O fim da camada de ozônio
A redução do oxigênio também teria consequências para a camada de ozônio, que depende da presença do elemento na atmosfera para sua formação.
Com a perda significativa de oxigênio, a camada de ozônio deverá desaparecer, deixando a superfície terrestre mais exposta à radiação ultravioleta.
Segundo os pesquisadores, a combinação dessas transformações representaria uma mudança irreversível nas condições necessárias para a manutenção da biosfera terrestre.
O estudo, no entanto, não prevê especificamente o desaparecimento da humanidade. Os pesquisadores analisaram a possibilidade de manutenção da vida na Terra como um todo, considerando diferentes formas de organismos e não apenas os seres humanos.
O cenário descrito está bilhões de anos no futuro e não tem relação direta com o atual aquecimento global causado pelas atividades humanas. Trata-se de um processo associado à evolução natural do Sol e à transformação gradual das condições físicas e químicas do planeta. (Foto: Roberto Machado Noa/GettyImages)
Por Opinião em Pauta com informações da CNN


